segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Estudo sobre o Concelho da Calheta

2ª PARTE
NOTAS HISTÓRICAS
PADRE MANUEL DE AZEVEDO DA CUNHA
ALEIXOS DIAS DA BICA

Julgamo-la casado com Juliana Pires, irmã de Francisco Pires do Couto, e vieram da Praia da Terceira, simplesmente para colonizar, ou no tempo das alteraçôes do Prior do Crato. Era irmão de Apolónia Dias, casada com Damião Fernandes de António Dias da Bica, estabelecido em S. Tiago, casado com Maria Pereira e parece havê-la sido de João Dias da Bica, escrivão da Câmara das Velas em 1606. Era ainda cunhado de Maria Rodrigues e tio de Lucas Fernandes, talvez filho daquele Damião Fernandes. Faleceu em 1621. Julgamos aquele Aleixos Dias Bica filho de João Dias Bica, da Praia, ilha Terceira.

Do Aleixos foram filhos: 1.º João Dias Bica que faleceu em 1642, e já casado em 1621 com Juliana Pires, filha de Manuel Vieira Ferro e de Vitória da Cunha; 2.º Gonçalo 1ìias da Bica, casado com Catarina Rodrigues; 3.º Simao Dias da Bica que era falecido sm 1624, e havia casado com Maria Gata, falecida em 1656; 4.º Brás Dias da Bica, já falecido em 1657 e foi casado com Isabel Cardosa, já também falecida em 1660; 5.º Leonor Dias, casada com Roque Nunes.

João Dias da Bica, filho mais velho de Aleixos Dias, era falecido em 1642, e sua mulher Juliana Pires faleceu em 1657. Deste casal já apontámos a filiação. De Gonçalo Dias e de Leonor Dias, desconhece-mo-la. Vamos tratar dos descendentes de:
Brás Dias Bica, casado com Isabel Cardosa. Foram seus filhos:
1.º Maria Álvares, casada, em 22 de Agosto de 1650, com João Teixeira, filho de Leonardo Goncalves Teixeira;
2.º Luzia Dias, casada, em 16 de Junho de 1674, com António Martins, filho de António Martins e de Bárbara de Sousa;
3.º Bárbara Dias;
4.º Manuel Cardoso Boa, casado, aí por 1650 com Vitória da Cunha, filha de Luís Correia da Silva, da Graciosa e de Bárbara da Cunha, filha de Manuel Vieira Ferro e de Vitória da Cunha. Esta filha de Belchior Gonçalves da Cunha e de Juliana Pires; e Belchior Gonçalves, do Topo, e filho de Baltasar da Cunha já falecido em 1588, e de Adriana de Souto Maior; e aquele Baltasar filho de Nuno da Cunha, da Graciosa, e tronco dos Cunhas, do Topo e desta vila de Calheta, mormente os que são conhecidos por Vieiras da Cunha;
5.º Domingos Cardoso, segundo nos parece.
De Simão Dias, casado com Maria Gata, conhecemos Catarina Dias, casada, em 16 de Maio de 1656, com José Marques, viúvo de Isabel Vieira, com quem havia casado em 16 de Janeiro de 1640.
Juliana Pires foi filha de João Pires e de Joana Pires, e esta já viúva em 31 de Agosto de 1567, em que testou por mão do tabelião desta vila, Manuel Brás, talvez o 1.º escrivão da Câmara desta vila.

Filhos de Manuel Cardoso Bica e de Vitória da Cunha:
1.º Maria da Cunha, casada, no 1.º de Setembro de 1686, com Miguel Pereira de Águeda, filho de Bartolomeu Pereira de Agueda e de Maria Luís, dos quais Vitória, nascida em 28 de Outubro de 1694, Isabel, nascida em 6 de Maio de 1697, António, nascido em 31 de Maio de 1699 ;
2.º Catarina da Cunha, casada, no 1.º de Novembro de 1693, com André de Lemos, filho de João de Lemos e de Apolónia Luís;
3.º Brás da Cunha Cardoso, casado, em 9 de Fevereiro de 1699, com Luzia Pereira, filha de João Nunes Campos e de Ana Pereira de Sousa, naturais do Norte Grande. Filhos: 1.º Manuel Pereira da Cunha, nascido em 9 de Dezembro de 1699, e casado em 17 de Outubro de 1729, com Isabel Nunes, do Norte Pequeno, filha de Manuel Correia e de Ana Pereira de Lemos, aquele filho de Gaspar dos Reis da Silva, que julgamos filho de Luís Correia da Silva, já mencionado, e de Iria João, e casado com esta em 21 de Outubro de 1652; e Ana Pereira de Lemos era filha de Tomé Vieira de Lemos e de Maria Luís de Sousa, já falecida em 1680, casados nesta Matriz em 30 de Junho de 1653. Julgamos aquele Tomé Vieira de Lemos, que morava nos Biscoitos, filho de Miguel Vieira de Lemos, casado em 1633 com Águeda de Azevedo, filha do cap. mor Manuel de Azevedo. Miguel Vieira de Lemos também morava nos Biscoitos.
Gaspar dos Reis era já falecido em 1696.

[1] Vitória, Isabel e Antonio, são filhos de Maria da Cunha e de Miguel Pereira de Águeda.

Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes eram consanguíneos em 3.º grau, porque esta era neta de Gaspar dos Reis irmão de Vitória da Cunha, avó do dito Manuel Pereira da Cunha; 2.º filho de Brás da Cunha Cardoso: António Pereira da Cunha, nascido em 31 de Janeiro de 1702, e faleceu solteiro; 3.º Maria da Luz, nascida em 7 de Setembro de 1704 e casou com Manuel Vieira Pereira, com descendência; 4.º Ana Pereira, nascida em 7 de Dezembro de 1710; 5.º João Pereira da Cunha, nascido em 14 de Fevereiro de 1716, e casou em 6 de Setembro de 1744 com Maria de Quadros, filha do cap. João de Sousa Pereira, a que já nos referimos.

Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes foram pais de vários filhos e entre estes Manuel de Sousa da Cunha, casado cm 7 de Outubro de 1763, com Josefa Maria de Fraga, filha de Mateus de Fraga, falecido de 60 anos em 15 de Julho de 1773, natural da Piedade do Pico, (e filho de outro Mateus de Fraga) e de Francisca de Borba, desta Matriz, e filha de Manuel Simão Fagundes, já defunto em 1716, e de Isabel de Fraga de Borba.
Seriam estes Fragas, dos Fragas que das Flores vieram para o Pico?

Manuel de Sousa da Cunha e Josefa Maria tiveram 8 filhos:
1.º Maria Joaquina, nascida em 21 de Julho de 1764, casada, em 22 de Fevereiro de 1797, com José Machado Homem, de S. Tiago, tendo 3 filhos: Joaquim do Val, Faustina, e Florinda, estas saíram da terra. Joaquim do Val residiu vários anos na Fajã dos Cubres;
2.º Manuel de Sousa da Cunha, nascido, em 11 de Março de 1767, e casou, em 27 de Janeiro de 1791, com Luzia Silveira de Matos, de S. Tiago, de que não houve descendência;
3.º Ana maquina, nascida em 11 de Janeiro de 1770, casada, em 24 de Outubro de 1796, com Manuel Correia de Sousa, dos Biscoitos, filho de Mateus Teixeira e de Isabel Caetana, com larga descendência os Constantinos Correias daquele curato;
4.º Rosa Maria, nascida, em 6 de Dezembro de 1772, e faleceu solteira em 1836; 5.º António de Sousa da Cunha, nascido em 17 de Outubro de 1775 casado na Ribeira Seca com Maria Silveira de Avila, de quem houve 3 filhos: Isabel Silveira de Azevedo, casada em 24 de Dezembro de 1840, na dita Ribeira Seca, com Paulo José de Quadros (o Carmona) ; 2.º José Silveira da Cunha, casado com Margarida Rosa, em 4 de Outubro de 1821, e esta filha de Tomé Silveira Brasil e de Maria de Jesus; e daquele casal nasceram Manuel Faustino da Cunha, casado com Teresa Freitas; António Faustino da Cunha, casado com Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes eram consanguíneos em 3.º grau, porque esta era neta de Gaspar dos Reis irmão de Vitória da Cunha, avó do dito Manuel Pereira da Cunha; 2.º filho de Brás da Cunha Cardoso: António Pereira da Cunha, nascido em 31 de Janeiro de 1702, e faleceu solteiro; 3.º Maria da Luz, nascida em 7 de Setembro de 1704 e casou com Manuel Vieira Pereira, com descendência; 4.º Ana Pereira, nascida em 7 de Dezembro de 1710; 5.º João Pereira da Cunha, nascido em 14 de Fevereiro de 1716, e casou em 6 de Setembro de 1744 com Maria de Quadros, filha do cap. João de Sousa Pereira, a que já nos referimos.

Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes foram pais de vários filhos e entre estes Manuel de Sousa da Cunha, casado cm 7 de Outubro de 1763, com Josefa Maria de Fraga, filha de Mateus de Fraga, falecido de 60 anos em 15 de Julho de 1773, natural da Piedade do Pico, (e filho de outro Mateus de Fraga) e de Francisca de Borba, desta Matriz, e filha de Manuel Simão Fagundes, já defunto em 1716, e de Isabel de Fraga de Borba.
Seriam estes Fragas, dos Fragas que das Flores vieram para o Pico?
Manuel de Sousa da Cunha e Josefa Maria tiveram 8 filhos: 1.º Maria Joaquina, nascida em 21 de Julho de 1764, casada, em 22 de Fevereiro de 1797, com José Machado Homem, de S. Tiago, tendo 3 filhos: Joaquim do Val, Faustina, e Florinda, estas saíram da terra. Joaquim do Val residiu vários anos na Fajã dos Cubres; 2.º Manuel de Sousa da Cunha, nascido, em 11 de Março de 1767, e casou, em 27 de Janeiro de 1791, com Luzia Silveira de Matos, de S. Tiago, de que não houve descendência; 3.º Ana maquina, nascida em 11 de Janeiro de 1770, casada, em 24 de Outubro de 1796, com Manuel Correia de Sousa, dos Biscoitos, filho de Mateus Teixeira e de Isabel Caetana, com larga descendência os Constantinos Correias daquele curato; 4.º Rosa Maria, nascida, em 6 de Dezembro de 1772, e faleceu solteira em 1836; 5.º António de Sousa da Cunha, nascido em 17 de Outubro de 1775casado na Ribeira Seca com Maria Silveira de Avila, de quem houve 3 filho.s: Isabel Silveira de Azevedo, casada em 24 de Dezembro de 1840, na dita Ribeira Seca, com Paulo José de Quadros (o Carmona) ; 2.º José Silveira da Cunha, casado com Margarida Rosa, em 4 de Outubro de 1821, e esta filha de Tomé Silveira Brasil e de Maria de Jesus; e daquele casal nasceram Manuel Faustino da Cunha, casado com Teresa Freitas; António Faustino da Cunha, casado com Maria das Neves Correia, ambos com descendência, como diremos; Maria Margarida, que faleceu solteira em 25 de Maio de 1910; e José Faustino da Cunha que saiu da terra e não voltou; 3.º filho de António António de Sousa da Cunha Manuel Joaquim de Azevedo, casado nas Velas com uma tal Leiria, e 2.a vez com Maria de Azevedo de Almada, da Ribeira da Areia, tendo duas filhas: Maria, com descendência na Ribeira da Areia, e Rosa Cândida, internada no Asilo das Velas, ali falecida em 12 de Maio de 1921;
6.º filho de Manuel de Sousa da Cunha Joaquina Josefa, nascida em 8 de Abril de 1779, e casada, em 8 de Janeiro de 1803, com Manuel de Azevedo (Maio) que se dizia filho natural da casa Azevedo da Rua Nova, e tiveram Antonio de Azevedo (Maio) casado com Rita Clara, da Ribeira Seca, com descendência; Joaquim de Azevedo (Maio) casado com Maria Jacinta, com descendência; José de Azevedo (Maio) casado em S. Mateus da Terceira, com descendência; e Laureana de Azevedo, casada com Francisco Luís de Azevedo, tendo três filhos João, Jácome, e José, e 8 filhas: Maria, Rita, Rosa, Catarina, Joaquina, Isabel, Filomena, e Jacinta.
7.º filho de Manuel de Sousa da Cunha e de Josefa Maria de Fraga José de Sousa da Cunha, nascido em 26 de Novembro de 1784, e casou na Piedade, Ponta, do Pico, em Outubro de 1803, com Maria Inácia, havendo deste matrimónio 2 filhos e 3 filhas: 1.º José Cunha, casado naquela freguesia com Vicência Constância, de quem nasceram José, António, Francisco e Mariano, que emigraram para os Estados Unidos; 2.º António Cunha, que embarcou em navios balieiros, não voltando à terra; 3.º Rita Inácia, casada com António Moniz de Oliveira, morado,res do Vale das Amoras, desta freguesia de Santa Catarina, tendo António, José e João que saíram para a América e não voltaram; e Maria, que casou com Manuel Hipólito, da freguesia de S. Tiago; 4.º Maria da Cunha. Houve um filho natural que casou com uma filha de Manuel Joaquim Relva; 5.º finalmente, Catarina da Cunha, que saiu para Angra, e lá faleceu sem descendência conhecida.
Vicência Constância, acima mencionada, depois de viúva embarcou para os Estados Unidos, onde já se encontravam seus filhos. E falecida. Moravam no Calhau da referida freguesia da Piedade, não havendo hoje naquele lugar nenhum representante daquela família.
8.º filho de Manuel de Sousa da Cunha e de Josefa Maria de Fraga:
Francisco de Azevedo da Cunha, nascido em 12 de Novembro de 1781, falecido nesta vila em 18 de Março de 1867, e casado nesta igreja paroquial em 22 de Maio de 1814, com Jacinta Rosa de Ávila, da Piedade do Pico, filha de Francisco Ferreira e de Maria de Ávila Brasil.
Jacinta Rosa de Ávila faleceu em 8 de Julho de 1853.
Francisco de Azevedo da Cunha, também chamado Francisco de Sousa da Cunha, ou Francisco do Vale, por haver sido nado e criado no Vale Frio, ma;gem esquerda da Ribeira da Calheta, estabeleceu residência nesta vila,depois de seu consórcio, por se ocupar na vida marítima. Tomou o apelido de Azevedo sem ser proximamente aparentado com a casa Azevedo da Rua Nova, mas tão somente porque seu cunhado Manuel de Azevedo (Maio) o adoptou, por ser daquela família, embora filho ilegítimo. Filhos: 1.º Miguel de Azevedo da Cunha, casado a 1.a vez em 13 de Dezembro de 1837 com Rosa Delfina de Quadros, filha de José de Sousa de Matos e de Isabel de Quadros, a que já nos referimos, tendo deste matrimónio dois filhos e uma filha: José de Azevedo da Cunha, nascido em 1838, falecendo em Provincetown, já idoso, de desastre marítimo no gelo da Costa, e por vários anos comandou navios da pesca de bacalhau nos bancos da Terra Nova. Tem descendência em Provincetown, por sua filha Lillian, casada com um filho de João Joeira, filho de João de Sousa Luís e de Isabel Joanina Joeira; Miguel de Azevedo da Cunha, nascido em 1839. Sendo capitão balieiro visitou várias vezes esta vila, e faleceu em Provincetown em 1899. Casado, não houve descendência; Miguel de Azevedo e o irmão eram tão brancos e loiros, que este era conhecido em New Bedford por José Irlandês, sem dúvida pela descendência dos Matos, do Topo, da linha flamenga do Vandaraga, ou de algum de seus companheiros na colonização daquela parte da terra; e Cândida da Glória, nascida em 29 de Novembro de 1840, e falecida em 27 de Julho de 1911. Casada, em 1861, com Manuel da Silva Almada da Ribeira da Areia, e filho de Pascoal José de Sousa de Almada e de Delfina Mariana, em Dezembro do mesmo ano ficou viúva, nascendo do seu matrimónio uma filha Maria da Silva, casada, em 1883 com seu tio Manuel de Azevedo da Cunha, como já dissemos, seguindo logo para a Califórnia.
Miguel de Azevedo da Cunha, enviuvando de Rosa Delfina de Quadros em 1841, casou em 12 de Março de 1842, com Rosa Jacinta de Azevedo, da Ribeirinha do Pico, e filha de Francisco António de Azevedo e de Isabel Jacinta. E deste consórcio houve os seguintes filhos: Manuel de Azevedo da Cunha, nascido em 9 de Dezembro de 1842; Francisco de Azevedo da Cunha, nascido em 3 de Dezembro de 1844 e falecido no Rio de Janeiro em 1908, como diremos adiante; Florinda Cândida, nascida em 27 de Dezembro de 1846, e falecida na Califórnia; Maria Wilson, nascida em 10 de Janeiro de 1850, a qual vive em Califórnia.
Miguel de Azevedo da Cunha, finalmente, faleceu com 37 anos de idade em 17 de Janeiro de 1852, pelo esmagamento de uma peça de artilharia. Homem forte, achando-se com outros no dia 9 do referido mês no forte de Santo António da Fajã Grande, fez exercício de forças arvorando uma das peças que ainda hoje ali se encontram. E quando procurava manter o equilíbrio vertical da mesma, já levantada, escorregou, caindo-lhe aquela em cima de modo que lhe rebentou a bexiga. Durou apenas oito dias após aquele triste sucesso. Era homem considerado nesta vila.

Seus filhos saíram da terra José, em companhia do primo João de Deus, no ano de 1860. Voltou em 1867, encontrando ainda vivo seu avô Francisco de Azevedo. Miguel em 1855. Cândida em 1883. Francisco para o Rio em 1860. Florinda saiu com sua mãe para Califórnia em 1870. Manuel em 1867. E Maria, criada no Pico em casa da tia Feliciana, foi para a Califórnia pouco depois de 1867.
2.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA
Maria Jacinata de Ávila, nascida em 12 de Janeiro de 1816, e falecida em 29 de Janeiro de 1911.
Casou em 17 de Dezembro de 1837, com António Faustino Maria de S. Pedro, nascido em 18 de Agosto de 1816, e falecido em 7 de Setembro de 1878. Era filho de José da Cunha Relva e de Rita Maria de S. Pedro, filha de Matias Pereira de S. Pedro, filho de António de Sousa de S Pedro, filho de outro Matias Pereira de S. Pedro, filho de João Pereira de S. Pedro, filho de Francisco Rodrigues de S. Pedro, casado em 17 de Novembro de 1642, com Maria Pereira, filho de outro Francisco Rodrigues de S. Pedro, e de Susana Manuel, que julgamos filha do escrivão da Câmara António Vieira, falecido em 1624, sendo substituído naquele cargo pelo dito Francisco Rodrigues de S. Pedro, já falecido em 1642. Susana Manuel, sua viúva, deve ter falecido em 1669.

Filhos daquele casal:
1.º Maria Madalena, nascida em 1838 e falecida em 5 de Maio de 1920. Casou em 23 de Fevereiro de 1862, com Faustino Silveira de S. Pedro, seu primo em 2.º e 3.º graus de consanguinidade, também descendente de Francisco Rodrigues de S. Pedro.
Faustino Silveira de S. Pedro foi filho de Francisco Silveira Teixeira, e de Vitória Joanina de S. Pedro, aquele filho de Manuel Teixeira e de Bernarda Silveira, e aquela filha de Matias Pereira de S. Pedro e de Rosa Maria Bettencourt de S. Pedro.
2.º João de Deus, nascido cm 1840. Saindo para a América em 1860, foi capitão de navios da pesca do bacalhau por conta de armadores de Provincetown, dos Estados Unidos; e de 1885 em diante, da Empresa de A. Mariano e Irmãos, de Lisboa, com sede na Figueira da Foz.
Casado com a irlandesa Annie Davis, teve dois filhos Jorge Davis, e Walter Davis, e uma filha Lotie Davis. Jorge é falecido. Walter reside nos Estados Unidos, e Lotie em Lisboa, aquele casado, e esta solteira.
João de Deus faleceu na Figueira da Foz, em 7 de Janeiro de 1907.
3.º António Maria, nascido em 5 de Maio de 1848, e faleceu solteiro em 10 de Setembro de 1896, no naufrágio do bote Mariana, em viagem do Cais do Galego, Ponta do Pico, para este porto da Calheta.
4.º Doroteia Cândida, nascida em 23 de Março de 1850.
5.º Faustino Maria de S. Pedro, nascido em 4 de Setembro de 1853, casado com Luísa Freitas, faleceu na Califórnia em 6 de Dezembro de 1906, esmagado por um comboio, pois era agulheiro dos caminhos de ferro. Havia saído para a Califórnia em 1872.
5.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA
Manuel de Azevedo da Cunha, nascido em 30 de Março de 1818, falecido em 4 de Setembro de 1907, e havia casado na Piedade do Pico, em 30 de Outubro de 1845, com Rosa Mariana da Trindade, nascida em 22 de Junho de 1822, e falecida a 18 de Junho de 1898, sendo natural da Ribeirinha, da dita freguesia da Piedade, e filha de Manuel Quaresma Pimentel, nascido em 1777, e falecido em 27 de Dezembro de 1849, e de Maria da Trindade, nascida em 1783, e falecida no primeiro de Fevereiro de 1854.

Manuel Quaresma Pimentel era filho do sargento Manuel Quaresma Pimentel e de Rosa Maria. Enviuvando desta, casou com Isabel da Conceicão, procedendo deste 2.º matrimónio Manuel Francisco de Fraga e Guilherme Francisco de Fraga, bem como Manuel da Silva, e seu irmão Francisco José da Silva, conhecido por Francisco do Pico, falecido em 26 de Fevereiro de 1924 nesta vila da Calheta, onde foi casado sem descendência com Carolina de A.vila Brasil, filho de João de Ávila Brasil, e de Felizarda Rosa.

Mais descendem outros Quaresmas da Ribeirinha, e entre estes Manuel Quaresma Pimentel, conhecido por Manuel Dionísio, com prole distinta na América, e dois filhos exercendo o magistério, um no Faial, e outro em Lisboa.
O sargento Manuel Quaresma Pimentel era filho do alferes João Quaresma Pimentel. Estes Quaresmas Pimentel cuja ascendência ignoramos, são oriundos da freguesia de Santo Amaro da dita ilha do Pico.

A povoação da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, começou haverá para mais de 400 anos. Pois o livro de registo paroquial mais antigo que se acha em seu arquivo é de 1830.

Nesta diocese há igrejas cujo registo,remonta a 1565. Nesta de Santa Catarina o primeiro livro de casados começa em Janeiro de 1631 e em S. Tiago, o de baptizados principia em 1623.

Alguns dados genealógicos só poderão alcançar-se por processo indirecto: testamentos, formais de partilha, ou apontados particulares de famílias, ou notas de algum curioso a respeito de tal assunto.

No ano de 1657, a 29 de Outubro, casou nesta Matriz de Santa Catarina, um Domingos Fernandes Pereira, natural da Piedade, Ponta do Pico, e filho de João Quaresma e de Ana Fernandes, moradores da dita freguesia, com Isabel Pereira filha de Manuel João Brasil e de Águeda Luís. Se aquele João Quaresma não foi adventício ao lugar, é de crer que os Quaresmas povoassem na Ponta da ilha já no século XVI.

Maria da Trindade, casada em 1801 com Manuel Quaresma Pimentel, era filha de Mateus Leal Cardoso, que estudando para seguir a vida eclesiástica, desistiu do intento, casando com outra Maria da Trindade, filha de Manuel Correia de Avila e de Domingos da Trindade. E destes descendem os Correias do Vale das Amoras desta freguesia; porquanto António Correia de Ávila filho destes últimos, veio para a Calheta, casando sucessivamente duas vezes, com duas mulheres irmãs. E destes Correias de Avila, da Ribeirinha, que também descendem pela parte materna os srs. Anatólio Dutra, José Correia da Cunha e António Correia da Cunha, casados, e residindo nesta vila, donde são naturais.
Do alferes João Quaresma Pimentel é 3.a neta materna D Maria Teodora Pimentel, diplomada em medicina pela escola de Lisboa em 1895, sendo natural de S. Pedro de Angra, e vinda exercer clínica para aquela cidade, onde até hoje tem residido.

De Manuel de Azevedo da Cunha filhos: Maria Filomena, nascida em 13 de Fevereiro de 1847, falecendo solteira em 5 de Julho de 1912: Filomena de Azevedo da Cunha, nascida em 16 de Agosto de 1851; Rosa de Azevedo da Cunha, nascida em 6 de Janeiro de 1856. Estas nasceram na Ribeirinha do Pico; José de Azevedo da Cunha, nascido em 23 de Abril de 1858, sendo casado com D. Maria da Conceição, natural de Amarante, em Portugal, sem descendência.
5.º filho de Manuel de Azevedo da Cunha o P.e Manuel de Azevedo da Cunha, nascido (como seu irmão) nesta vila da Calheta, no 1.º de Janeiro de 1861. Tendo ido para o Seminário da diocese em Setembro de 1874, foi ordenado de presbítero no sábado 19 de Maio de 1883.
4.º filho de FRANCISCO De AZEVEDO DA CUNHA
Bárbara Jacinta de Ávila, nascida em 29 de Fevereiro de 1820, casada com António José Goulart em 21 de Novembro de 1841, falecida em Lisboa em 1910, e cuja descendência já atrás apontámos.
5.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA
João de Azevedo da Cunha, nascido em 26 de Abril de 1822, e falecido em 18 de Fevereiro de 1880.
Casou nesta matriz em 15 de Outubro de 1850 com D. Mariana da Glória, natural da vila do Topo, que vivia nesta da Calheta com seu tio materno, o P.' Fr. João Clímaco, e era filha de João Ferreira e de Maria da Trindade, e esta prima do Bispo de Macau, de Bragança e de Portalegre Dr. Manuel Bernardo de Sousa Enes.
D Mariana da Glória faleceu na Picanceira, Mafra, em 19 de Outubro de 1914, tendo 80 anos de idade.

Este casal teve os seguintes filhos:
João Ferreira da Cunha, nascido em 14 de Setembro de 1851. Saiu da terra em 1870. Andando em navios baleeiros, percorreu todos os mares do globo. A seguir fixou residência na Califórnia, onde esteve vários anos, voltando em Julho de 1902 a esta vila, onde reside em estado de solteiro;
2.º Francisco de Azevedo da Cunha, nascido em 24 de Abril de 1854. Saiu da Calheta no navio baleeiro de seu primo Miguel de Azevedo da Cunha, no ano de 1872. Indo depois para a Califórnia, ali casou com Capitolina Loureiro, neta do Dr. Loureiro, de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, tendo os filhos que seguem: Maria, José, Capitolina, Amélia, Francisco, Curolina, Josefina e Catarina gémeos, e Helena: 10 filhos;
3.º o cap. José da Cunha Ferreira, nascido em 13 de Novembro de 1856. Saiu desta vila em 1868 na barca Amizade, de Ponta Delgada, comandada por Francisco José de Melo, há poucos anos falecido na Picanceira, como intendente da casa de Domingos Dias Machado, da Urzelina, desta ilha.

Ficando depois nos Estados Unidos, sendo muito hábil, inteligente, sério, deram-lhe o comando de navios do bacalhau do porto de Provincetown, que ele dirigiu com perícia e interesse dos armadores. Em 1885 passou a comandar os melhores barcos que iam aos Bancos, pertencentes a seu e nosso primo, José Mariano Goulart, com sede na Figueira da Foz, dando à Empresa lucros assinalados. Casou na dita cidade com D. Maria Águas Ferreira, falecida sem descendência em 17 de Abril de 1924; 4.º D. Carolina da Cunha Ferreira, nascida em 4 de Fevereiro de 1859. Vive solteira em Lisboa com sua irmã; 5.º D. Maria Clementina da Cunha Goulart, nascida em 31 de Agosto de 1861, e foi para Lisboa em 1879 E viúva de seu e nossos primo, o benemérito José Mariano Goulart, falecido em Coimbra no dia 8 de Janeiro de 1917. António Mariano Goulart, formado em direito, é seu filho único. Faleceu afogado no rio Mondego na Figueira da Foz, no corrente ano; 6.º Augusto de Azevedo Ferreira da Cunha, nascido em 5 de Março de 1864, casou nesta matriz em 4 de Fevereiro de 1907 com D. Evangelina de Bettencourt, nascida em Santo Antão do Topo no dia 28 de Agosto de 1886, e filha do escrivão deste Julgado Manuel Maria da Silveira Bettencourt, natural da Prainha do Norte, ilha do Pico, e de D. Delfina Adelaide de Bettencourt da Silveira, natural de Santo Antão, no dito Topo. Tendo estado vários anos em Lisboa na casa comercial de A. Mariano e Irmãos (primos Goulart) voltou a esta vila em 1892, abrindo loja de tecidos e de outros géneros. E o agente da Empresa Insulana de Navegação. E, proclamada a República, foi, como Presidente da Câmara, o 1.º administrador deste concelho do novo regime. Tem os filhos seguintes: D. Ma-riana, D. Maria Celeste, Augusto, Palmira, Júlia, João e Domingos; 7.º D. Virgínia Ferreira da Cunha, nascida em 19 de Setembro de 1866, casou em 11 de Setembro de 1899 com Mariano Gil da Silva, filho de João Francisco da Silva e de Rita da Glória Freitas. E seu filho único o estudante de preparatórios José Mariano; 8.º Vítor Ferreira da Cunha, nascido em 15 de Outubro de 1868. Tendo saído para Pernambuco, adoeceu, voltando a Portugal e dedicando-se ao comércio. Casou nesta freguesia em 23 de Julho de 1906, com D. Gertrudes Inocência da Silveira, sua prima, falecida com 32 anos em 29 de Julho de 1908. D. Maria Carolina, sua filha única, vive em Lisboa e nasceu no sábado de aleluia, 18 de Abril de referido ano de 1908; Vítor Ferreira faleceu em Lisboa a 23 de Dezembro de 1923. Era um excelente companheiro, de carácter alegre, franco, jovial, dedicado e muito serviçal, sendo além disso homem disciplinado, desempenhando com inteligência, brio, honestidade e honra, os cargos ou omissões, que lhe foram cometidos. Seu falecimento, pois, foi lastimado e sentido por amigos e conhecidos; 9.º D. Amélia Ferreira da Cunha, nascida em 24 de Setembro de 1871, casou em S. Sebastião da Pedreira, Lisboa, em 28 de Junho de 1909, com o Dr. Domingos Pereira, da vila das Velas, filho de Manuel Inácio Pereira e de D. Maria Loureiro Pereira, já falecida. Tem um só filho Domingos; 10.º D. Clementina da Cunha Eteves, nascida em 26 de Outubro de 1873, vive na Figueira da Foz, onde casou a 11 de Março de 1899 com o empregado da Alfândega Zacarias José Esteves, cujos filhos são: D Maria Celeste, José, D. Maria Ângela e D. Maria Clementina; e 11.º finalmente, D. Júlia da Cunha Machado, nascida como todos seus irmãos ne,sta vila, em 14 de Março de 1876, e casou em Mafra no dia 6 de Setembro de 1906, com Augusto Pereira Machado, da Urzelina desta ilha de S. Jorge, sobrinho e principal herdeiro do benemérito Domingos Dias Machado, falecido na Picanceira em 22 de Dezembro de 1912, e legou cento e sessenta e seis contos para um hospital e asilo na sua terra natal, a Urzelina, freguesia de S. Mateus desta ilha de S. Jorge.

Filhos do casal do sr. Augusto Pereira Machado: D. Maria Madalena e D. Maria de Nazaré.
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6.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA
Mariana Jacinta, nascida em 11 de Outubro de 1824, casada em 11 de Agosto de 1844 com João Francisco da Silva, natural de Santa Cruz da Graciosa, e filho de António da Cunha, oficial que fora da ordenança, e de Catarina Rosa, filha de Sebastião Correia e de Maria de Jesus, da dita vila.

João Francisco da Silva, que era um excelente marceneiro, nasceu em 3 de Outubro de 1824 e faleceu em 25 de Maio de 1914. Sua 1.a mulher Mariana Jacinta faleceu com 37 anos em 31 de Agosto de 1860. Foram seus filhos: 1.º Maria das Dores, nascida em 30 de Março de 1846, casou com Manuel Machado Homem, da freguesia de S. Tiago, e são falecidos há anos. Tiveram dois filhos: José Machado Homem, nascido em 10 de Maio de1873, e está casado em New Bedford; e Maria das Leres Dutra, nascida em 18 de Maio de 1875, casou em New Bedford com José Dutra, faialense; 2.º António da Cunha Silva ou Brier, nascido no 1.º de Fevereiro de 1848, casou em Brewster, América, com Lisie Brier. Filhos: John Brier, Manuel Brier e Annie Brier. António da Cunha Silva, que emigrara em 1862, adoptou o apelativo Brier, tradução inglesa do português Silva; 3.º Catarina da Cunha Silva, nascida em 28 de Novembro de 1851, é já falecida. Foi casada, nesta Matriz, com Inácio de Morais Carvalho, filho do empregado da Alfândega João António de Morais, de Angra, e de D. Maria Soares de Albergaria, das Velas. Inácio de Morais Carvalho tem sido condutor de Obras Públicas em Ponta Delgada. São seus filhos: Mario de Carvalho, casado em Lisboa, e Alberto de Morais, ambos comandantes de vapores portugueses, e D. Irene de Morais; 4.º Manuel da Cunha (Brier), nascido em 20 de Fevereiro de 1855. P. falecido, e havia casado em Ne'w Bedford, onde sempre residiu desde que emigrou da terra em 1869. Não deixou descendência; 5.º Filomena Silva, nascida em 29 de Junho de 1857, e casada em Califórnia com Manuel Inácio Salsa, do Faial. 6 falecida, deixando um filho por nome Lourenço. Tinha saído de S. Jorge em 1875; e 6.º, finalmente, Florins Cândida da Silva, nascida em 25 de Junho de 1859, e casada com José Machado da Silveira, desta freguesia de Santa Catarina, estabelecidos em New Bodford desde 1876. Sua filha única D. Virgínia Silva, casou com Eugénio de Escobar, tendo um filho, José. Francisco de Azevedo da Cunha e Jacinta Rosa de Avila tiveram mais um filho, por nome Francisco, que faleceu com 5 anos de idade em 14 de Outubro de 1831, pois nascera a 4 de Novembro de 1826.

Enviuvando, João Francisco da Silva casou 2.a vez, em 24 de Agosto de 1861, com Rita da Glória de Freitas, nascida em 23 de Agosto de 1841, e filha de Manuel Gonçalves de Freitas e de Francisca Leodora, desta freguesia de Santa Catarina, filha de Matias de Matos e de Luísa Rosa de Oliveira, moradores em meio da Ladeira Velha. As filhas de Matias de Matos passaram por verdadeiros tipos de beleza.
Manuel Gonçalves de Freitas, falecido com 90 ano.s em 17 de Maio de 1880, era da Ribeirinha do Pico, e filho do alferes Manuel Gonçalves de Freitas e de Maria Leal. Vindo para esta vila em 1829, casou em 3 de Outubro desse mesmo ano com a dita Francisca Leodora, falecida em 21 de Março de 1881 com 75 anos de idade. Tiveram vários filhos, e entre estes o P.e António de Matos Freitas, ordenado em 1854, e faleceu em Ponta Delgada de S. Miguel, com 62 anos, em 3 de Dezembro de 1892.

De sua 2.a mulher João Francisco da Silva teve 8 filhos: João Francisco da Silva, nascido em 12 de Agosto de 1862, e casado em New Bedford; Estefânia, nascida em 4 de Dezembro de 1863, estando casada na mesma cidade. Estefânia faleceu em 30 de Agosto do ano corrente; Mariano Gil da Silva, nascido em 21 de Abril de 1865, e casado com D. Virgínia Fer,reira da Cunha, como já dissemos; Virgínia, nascida em 2 de Dezembro de 1867, e viúva do cap. de infantaria Jaime de Andrade, de Ponta Delgada; Ernestina, nascida em 30 de Agosto de 1870, casada em Ne'w Bedford; Catarina de Alexandria, nascida em 25 de Novembro de 1873, viúva em New Bedford; António de Pádua, nascido em 1 de Dezembro de 1878 e casado em New Bedford; e Maria dos Remédios, nascida em 2 de Julho de 1884, casada nesta Matriz com José Faustino da Silva, desta freguesia, com descendência.

Com respeito a Miguel de Azevedo da Cunha, 1.º filho de Francisco de Azevedo da Cunha, diremos ainda que seu filho José de Azevedo da Cunha, José Irlandês, casado em Provincetown, deixou duas filhas, sendo uma delas Lillian Ferreira Suette, casada com um filho de João de Sousa Joeira, de quem houve duas filhas.
Do consórcio de Manuel de Azevedo com sua sobrinha Maria Silva houve uma filha Lena, ou Lina Víeira de Avila, casada em 29 de Fevereiro de 1912, em Hanford, Califórnia, com Artur Vieira de Avila, tendo Allan Vieira de Avila nascido na dita cidade de Hanford em 10 de Julho de 1914, Jaime Vieira de Ávila, nascido em Tulare no dia 23 de Junho de 1916 e Artur Vieira de Ávila, ainda infante. O sr. Artur V. de Ávila, jornalista, dirige com muita distinção A Colonia Portu-gueza na cidade de Oakland.

Maria Wilson casou na Califórnia com Manuel Joaquim Bettencourt, que passou a chamar-se Manuel Wilson Este faleceu em S. Leandro, com 59 anos, a 31 de Março de 1899.
Foram seus filhos:
1.º Manuel Wilson, nascido em Gold Hill, Nevada, em 6 de Junho de 1874, e casou com Eureka Longmaig, em Stockton, a 28 de Dezembro de 1900; e faleceu na mesma cidade a 6 de Novembro de 1916;
2.º António Wilson, nascido em Gold Hill a 8 de Agosto de 1876, e casou com Luciana Fagundes, em Stockton, a 30 de Setembro de 1911;
3.º Maria Wilson, que nasceu em Gold Hill a 30 de Novembro de 1878, e casou com José Cardoso a 5 de Abril de 1902, e tiveram gémeos, nascidos em 18 de Abril de 1904, Artur Cardoso e Arnaldo Cardoso;
4.º Leonor Wilson, nascida em Nevada a 14 de Dezembro de 1880, e casada com António Waxon a 3 de Dezembro de 1898;
5.º José Wilson, nascido em S. Leandro, a 13 de Janeiro de 1885 e casou com Catarina M Laughlin a 20 de Outubro de 19'14;
6.º finalmente, Virgínia Wilson, nascida em S. Leandro a 7 de Julho de 1890, e em 1918 estava ainda solteira.

Florinda, outra filha de Miguel de Azevedo da Cunha. Casou em Califórnia com Jorge da Silva Neto, da Ribeira Seca desta ilha, e faleceu em Stockton a 17 de Dezembro de 1896. Seu marido faleceu na mesma cidade em 10 de Junho de 1902. Filhos:
1.º Francisco Silva Neto, que casou com Josie Anthony, deixando dois filhos e duas filhas;
2.º Manuel Silva Neto, casado;
3.º Jorge Silva Neto, solteiro em 1918;
4.º Maria Silva Neto, casada com Jess Jordan, havendo um filho por nome Miller Jordan;
5.º Emília Silva Neto, casada com Albert Burth. Tiveram um filho José Silva Neto, solteiro em 1917, ano em que se alistou no exército americano, e em Junho de 1918 se achava em França combatendo contra os alemães.

Maria Madalena, neta de Francisco de Azevedo da Cunha, e casada com Faustino Silveira de S. Pedro em 23 de Fevereiro de 1862. Filhos deste casal:
1.º João Faustino da Silveira, nascido em 19 de Outubro de 1862, e saiu para Lisboa em 1877 e para o Rio em 1895;
2.º Julio Faustino da Silveira, nascido em 27 de Setembro de 1864, casado em 27 de Junho de 1917, com Rosa Palmira da Silveira, da Fajã dos Rodes, filha de Pedro Silveira e de Mariana Luísa, filha de António Rato que faleceu no naufrágio do iate Caridade em 16 de Abril de 1859. Tem uma filha, Maria Madalena;
3.º D. Vitória de S. Pedro, nascida em 15 de Abril de 1866, casada em New Bedford com António José Fernandes com descendência;
4.º Cândido Silveira S. Pedro, nascido em 17 de Abril de 1868 e casado no Rio de Janeiro com Maria Silveira, de Portugal, com descendência;
5.º Lì. Olívia de S Pedro, nascida em 7 de Marco de 1870. Vive solteira nesta vila;
6.º José Silveira, nascido em 11 de Dezembro de 1871. E distinto prático marítimo deste porto. Está solteiro;
7.º D. Maria de S. Pedro, nascida em 21 de Novembro de 1873, e casou em 31 de Outubro de 1907 com João Machado de Azevedo, negociante, filho de José de Azevedo Machado, da Fajã dos Vimes e de Maria da Glória, de S. Tiago, instituidores da ermida da Fajã Grande, e moradores da mesma Fajã. Não há descendência daquele casal.
8.º D. Gertrudes Inocência da Silveira, nascida em 27 de Dezembro de 1876 e casada com seu primo Vítor Ferreira da Cunha, como já se disse;
9.º Celestino de S. Pedro, nascido em 12 de Abril de 1882, e reside em Califórnia onde casou.
Doroteia Cândida, neta materna de Francisco de Azevedo da Cunha seus filhos: 1.º D. Maria Doroteia, nascida em 21 de Setembro de 1873 e casada em 25 de Maio de 1896 com José António da Silva, desta vila. Filhos:
1.º Lina Silva, casada com Car,los de Freitas, Leandro Silva, casado com D. Júlia Palmira Ferreira Rebelo, das Velas, Celestina Silva, Flamínio Silva e Vítor Silva;
2.º José Teixeira, nascido em 19 de Junho de 1879 e casado, em 9 de Janeiro de 1913, com D. Maria Alexandrina Macedo, da Urzelina, e diplomada pela escola normal de Angra. Tem duas filhas: Maria Gambier e Maria da Glória. Estas duas meninas descendem, por sua mãe, de Joseph Gambier, francês, casado com Maria Catarina Pacheco, de Angra. Seu filho Francisco Gambier casou nas Velas em 27 de Maio de 1775 com Ana Narcisa Vitorina. Há outros descendentes deste casal, mas deixaram de usar aquele apelativo francês;
3.º Luís da Cunha, nascido em 15 de Março de 1884 e casou na igreja de Todos os Santos, diocese de S. Francisco da Califórnia, em 26 de Abril de 1908, com Maria Xavier;
4.º 0. Maria Jóia Goulart, nascida em 3 de Abril de 1888, baptizada no Norte Grande, e casada nesta Matriz em 12 de Maio de 1921 com seu primo João Faustino da Silveira, filho de Faustino Silveira de S. Pedro e de Maria Madalena. Tem um filho por nome Mozart e uma filha chamada Aldora.

António de Sousa da Cunha, filho de Manuel de Sousa da Cunha e de Josefa Maria de Fraga, teve três filhos, como já se disse, e o 2.º foi José Silveira da Cunha, casado em 4 de Dezembro de 1821 com Margarida Rosa, e era conhecido tão somente por mestre José da Margarida, mestre e dono de uma lancha. Foram .seus filhos: 1.º Manuel Faustino da Cunha, nascido em 10 de Janeiro de 1823, e casado nesta Matriz em 11 de Fevereiro de 1858 com Teresa Florinda de Freitas, filha de Manuel Gonçalves de Freitas e de Francisca Leodora. Filhos: 1.º António de Matos Freitas, nascido em 7 de Setembro de 1858 e casado nesta Matriz, em 4 de Março de 1878 com Maria Carolina Picanço, filha de Carolina Augusta Picanço, da Graciosa. Foram para a Califórnia tendo a seguinte prole João, Lila, Maria, António e Adolfo; 2.º filho de Manuel Faustino da Cunha D. Maria da Cunha, nascida em 8 de Abril de 1860. Viveu com seu tio, P.e António de Matos Freitas, em New Bedford, durante os 11 anos em que este pastoreou a igreja de S. João Baptista daquela cidade, de 1874 a Novembro de 1885, em que vieram para os Açores, fixando residência em Ponta Delgada de S. Miguel. Por falecimento de seu tio, casou naquela cidade com Gabriel Tavares da Silva, tabelião. Tiveram um filho actualmente estudando medicina em Lisboa; 3.º filho de Manuel Faustino, Luísa Freitas, nascida em 6 de Janeiro de 1862, e casou na Califórnia com seu primo Faustino Maria de San Pedro, falecido repentinamente em 10 de Dezembro de 1906 esmagado por um comboio, tendo 6 filhos: Leandro, João, António, Faustino, Maria e Eva; 4.º filho de Manuel Faustino Joao Cunha Freitas, nascido em 18 de Fevereiro de 1864. Casou em Califórnia com uma francesa. E falecido sem descendência.
2.º filho de José Silveira da Cunha José Faustino da Cunha, nascido em 1 de Dezembro de 1824. Emigrando para a América, não voltou à terra; 3.º Maria Margarida, que faleceu solteira em 1910; 4.º António Faustino da Cunha, nascido em 4 de Maio de 1833, e casou nesta Matriz em 5 de Julho de 1883 com Maria das Neves Correia, filha de José Correia Borges, vindo de Pernambuco para a Calheta em 1833, e era natural da Ribeirinha do Pico, e filho de Manuel Correia e de Teresa Maria, e de Maria Jacinta, filha de Francisco António de Azevedo e de Isabel Jacinta de Azevedo, casada com Miguel de Azevedo da Cunha, e de Isabel Jacinta ', casada nesta Matriz com Faustino Alexandre Leite de Vasconcelos Terra Brum da Silveira, filho de Francisco Leite, e este filho do cap. Raulino da Terra Brum.

[1] Faltará o nome do pai de Teresa Maria, sendo Maria Jacinta sua mae

António Faustino da Cunha teve de seu consórcio dois filhos:
1.º José Correia da Cunha, nascido em 14 de Setembro de 1882, e casou em 25 de Julho de 1903 com D. Maria Piques, filha de Manuel Jacinto Piques, natural de Santa Ana, Vale das Furnas, de S Miguel, e de Carolina Valim, filha de Manuel Pereira Valim, dos Valins, ou Velins, da Ribeirinha do Pico, e de Catarina Angelina Pedrosa, neta do alferes António Games Leal e de sua mulher Maria dos Anjos, da Piedade da mesma ilha. Tem 5 filhos: António Correia Piques da Cunha, estudando no liceu de Angra para o curso médico, em Lisboa, José empregado comercial, João, Alvaro e Alvarina;
2.º filho de António Faustino da Cunha António Correia da Cunha, nascido em 14 de Outubro de 1884. Casou em 25 de Outubro de 1919 com D. Maria Madalena de Oliveira, filha do sr. Domingos de Oliveira e de D. Emília Adelaide de Oliveira, todos desta freguesia. Há uma filha daquele matrimónio, por nome Maria Maura. António Faustino da Cunha faleceu no mar, no naufrágio do iate União que ele comandava. Em Abril de 1884, saindo da Terceira para S. Miguel, sossobrou, não chegando a seu destino, nem havendo mais notícia dele. Sua viúva faleceu em 14 de Julho de 1914.

Dissemos antecedentemente que Aleixos Dias da Bica tivera um irmão que se estabeleceu na freguesia de S. Tiago e se chamava António Dias da Bica. Casou este com Maria Pereira, sendo seus filhos Diogo Dias Bica, Catarina Nunes e António Pereira Bica, que casou com Maria Nunes, estes procriaram a Pedro, nascido em 1635; João, nascido em 1638; Bárbara Nunes, que aparece em 1642; e Sebastião Nunes Bica, ou Sebastião Dias Bica, que figura no registo de S. Tiago em 1645. António Pereira Bica faleceu em 20 de Dezembro de 1678, e sua mulher Maria Nunes faleceu em 10 de Janeiro de 1684. Francisco Ferreira e Maria de Avila Brasil, pais de Jacinta Rosa, mulher de Francisco de Azevedo da Cunha.

Francisco Ferreira, já viúvo de Maria de Ávila, faleceu em 1823.
Segundo um formal de partilha daquele ano, houve de seu consórcio 8 filhos:
1.º Jacinta Rosa, casada em 1814 com o dito Francisco de Azevedo da Cunha, que amestrou barcos grandes de viagem entre estas ilhas, e era homem dotado de um extraordinário poder visual. Basta dizer-se que percebia, a olho nu, o içar da vela de um pequeno barco de pesca, na costa do calhau do Pico, a 11 milhas de distância, não obstante a sombra projectada pela terra. E, veja-se o desconcerto, ou antes a lei da natureza, seus filhos Manuel e Bárbara eram míopes no mais elevado grau;
2.º Francisca Rasa, cujo destino ignoramos;
3.º Antónia de Jesus, que faleceu solteira;
4.º Manuel de Avila Brasil, com descendência na Piedade, no assento de morada de seu pai, e é à entrada do caminho de cima, que leva à Ribeirinha;
5.º Francisco de Ávila Brasil, que sendo recrutado quando foi da leva grande seguiu para Lisboa, indo fazer serviço no Arsenal da Marinha, ou instituto semelhante, não voltando ao Pico porque faleceu de nostalgia ou saudades da sua terra;
6.º Teresa Jacinta de Avila, de quem nada sabemos;
7.º Catarina de Jesus, casada na Piedade com Manuel de Azevedo Leal Monteiro, com descendência, sendo sua filha Isabel Jacinta, falecida com 88 anos em 18 de Julho de 1886, e havia casado nesta vila, em 26 de Outubro de 1831, com João António Leal, filho de José António Leal e de Maria Inácia, moradores na Rua de Baixo. É sua bisneta D. Maria Leonor Pinto de Sousa, viúva do falecido Jácome de Sousa Ribeiro, de Angra, pianista, violinista, chefe de orquestra, e foi secretário desta Câmara municipal da Calheta, para onde veio em 1899, durante 24 anos, e onde prestou assinalados serviços em música e arte cénica e escrituração camarária. D. Maria Leonor é neta de uma Catarina, casada em Angra, e era filha da mencionada Catarina de Jesus e de Manuel de Azevedo Leal Monteiro.

[1] Será Isabel Jacinto e mãe de Miguel de Azevedo da Cunha?

Filhos de Isabel Jacinta e de João António Leal: Maria jacinta, casada em 2 de Fevereiro de 1853 com Faustino Silveira dos Anjos, filho de José Maria de Oliveira e de Maria dos Anjos, aquele, enteado de Raimundo José de Oliveira, tabelião, e esta filha do minorista José Caetano de Sousa de Almada, e doutra Maria dos Anjos, da família dos Cardosos, moradores quase no cimo da Ladeira Velha.
Filhos de Faustino dos Anjos:
1.º José Faustino, nascido em 3 de Janeiro de 1861. Estando alguns 30 anos em New Bedford, voltou à terra, casando em 16 de Junho de 1917 com Maria Guilhermina da Silveira, filha de Manuel Faustino da Silveira (Favinha) da Rua de Baixo;
2.º Rosa da Conceição dos Anjos, casada nesta Matriz em 3 de Junho de 1901 com José Boaventura, (Breca) do Carvalho, sem descendência;
3.º Maria dos Anjos, falecida na América; 2.º filho de João António Leal e de Isabel Jacinta José António Leal, nascido em 1833, e falecido em 29 de Novembro de 1912. Casou em 20 de Julho de 1861 com Maria Jacinta, filha de Manuel Jacinto da Silva (Trigueiro) e de Ana Margarida, filha de José de Sousa Belo e de Maria de Quadros. Filhos do casal: 1.º Maria, nascida em 8 de Março de 1862, casada com António Vitorino Vilalobos (caranguejo) da Ribeira Seca, falecido em 30 de Novembro de 1895, no porto das Velas: indo saltar do cais para o barco Caehapuz deste porto da Calheta, que ele amestrava, caiu ao mar. Sendo de noite, e havendo uma grande nortada, ninguém o ouviu clamar por socorro, morrendo à míngua, pois sendo marítimo não sabia nadar. Foi encontrado, ainda quente, no areal do varadoiro daquela vila; 2." José António, nascido em 2 de Fevereiro de 1864. Saindo para Califórnia em 1882, casou no Ireka, não voltando a esta vila; 3.º Rasa Joaquina dos Santos Cunha, nascida em 18 de Novembro de 1865, casou na América com António Augusto Terra, filho de António Augusto Pereira da Terra e de Rosa Joanina da Silveira, ambos dos Biscoitos. Filhos: Maria, José, Carolina, Elvira, Rosa e Clementina. Nesta freguesia residem José Cunha, negociante e Clementina, com sua mãe; os mais estão nos Estados Unidos; 4.º Rosalina Amélia Leal, nascida, em 17 de Outubro de 1867, falecida em 21 de Abril de 1924, e foi casada em 27 de Outubro de 1902, com Santos Alves, negociante nesta vila, e natural de S. Ramon, Galiza, Espanha. Filhos: José, falecido em 4 de Novembro de 1923, e D. Maria dos Santos; 5.º Joaquina Adelaide Mendes, nascida em 11 de Março de 1870, e casada em 11 de Janeiro de 1892 com Manuel Martins Mendes, remador da Alfândega e natural da Terceira. Maria, sua filha única, casou com Eduardo Soares, dos Terreiros, e professor primário desta vila. Faleceu vai para três anos, nos Afifes, S. Miguel, onde seu marido exercia o magistério. Deixou descendência: 6.º filho Carolina, nascida em 14 de Agosto de 1876, e faleceu aos 18 anos, em 18 de Setembro de 193; 7.º e último, António nascido em 2 de Agosto de 1883 Saiu para a Califórnia em 1901, não voltando à terra; e está casado em Nevada, com descendência.-
8.º filho de Francisco Ferreira e de Maria de Avila: Maria de Avila, casada na Piedade com João Cardoso Vieira. Além da descendência do Pico, teve este casal outros filhos, casados nesta vila, a saber: Manuel de Ávila Brasil, Maria Jacinta e Jacinta Rosa. Estes, tendo nesta vila sua tia materna Jacinta Rosa de Ávila, casada com Francisco de Azevedo da Cunha, frequentavam a Calheta, mudando-se de todo para ela, por seu consórcio relizado nesta freguesia de Santa Catarina. E assim Manuel de Avila Brasil, nascido em 1795 e falecido em 12 de Junho de 1870, casou aqui em 22 de Outubro de 1825 com Isabel Inácia, da Rua de Baixo, falecida em 30 de Dezembro de 1867, e filha de José António Leal e de Maria Inácia; aquele, falecido com 80 anos em 14 de Abril de 1846, e haviam casado nesta matriz em 27 de Novembro de 1794. José António Leal era filho de pai não sabido e de Isabel Maria, natural do Norte Grande. Maria Inácia de S. José foi filha de José Gonçalves Peixoto e de Maria de S. José. Estes já falecidos em 1794.

José Gonçalves Peixoto, filho de João Goncalves Peixoto e de Bárbara Pereira, havia casado a primeira vez em 21 de Novembro de 1740 com Maria de Quadros, contraindo 2.º matrimónio em 26 de Janeiro de 1761 com a dita Maria de S. José, filha de Manuel Vieira de Valença e de Josefa Pereira da Cunha, casados em 17 de Setembro de 1732, ele filho de outro Manuel Vieira de Valença, já defunto naquela data, e de Ângel,a Pereira; e ela filha de António Luís e de Bárbara Pereira.

Manuel Vieira de Valença, casado com Ângela Pereira em 1692, foi filho de António Gonçalves Vieira e de Bárbara Vieira, casados em 25 Novembro de 1658. António Gonçalves filho de Domingos Gonçalves e de Ana Ferreira; e Bárbara Vieira, filha de Sebastião Vieira Teixeira e de Maria Mendes.
João Gonçalves Peixoto, mencionado, foi filho de Manuel Gonçalves Peixoto e de Maria Dias, naturais e moradores de Vila da Praia, ilha Terceira. Manuel de Ávila Brasil e Isabel Inácia tiveram 4 filhos: João de Avila Brasil, nascido em 6 de Fevereiro de 1826, António de Avila Brasil, nascido em 8 de Dezembro de 1830, José de Ávila Brasil, nascido em 19 de Abril de 1834, e Cândida de Avila Brasil, nascida em 2 de Janeiro de 1842.

João de A.vila Brasil, falecido com 89 anos em 26 de Fevereiro de 1915, casou em 1853 na igreja de Nossa Senhora da Piedade, ilha do Pico, com Felizarda Rosa, da Ribeirinha da dita freguesia, e filha de Manuel Gonçalves da Silva (Valente) e de Maria Rita, moradores na Terralta.

João de Avila e Felizarda Rosa tiveram seis filhos e quatro filhas: Manuel, António, José, Maria, Carolina, 2.º António, João, Francisco, Virgínia e Isabel.
1.º filho Manuel de Ávila Brasil, nascido em 17 de Julho de 1854.
Foi criado com seus avós Manuel de Ávila e Isabel Inácia, e tia Cândida de Avila, em casa à Praça desta vila, a 4.a à direita a quem vem do terreno do porto, e foi há pouco reconstruída.

Desde sua mocidade revelou-se inteligente, disciplinado, sem vícios, e por todos havido em boa conta. Tendo na Califórnia seu tio paterno José de Ávila, que havia saído da terra em 1853, Manuel de Ávila embarcou em 1872 para o Ireka no Estado da Califórnia, onde se achava aquele seu tio, seguindo viagem na barca Amizade de Domingos Dias Machado, da Praça de Ponta Delgada, capitão Francisco José de Melo, oriundo de Santa Maria e, há pouco falecido na Picanceira, e era secretário de Domingos Dias Machado.

Na Califórnia comprou um claim, e ali se entreteve a minar oiro até ao ano de 1888, em que voltou à terra, tendo obtido, por seu trabalho e economia, uns dez mil dólares. Em 1892 voltou à Califórnia, onde se demorou quatro anos, voltando a esta vila em 1896.
Casou então nesta matriz em 11 de Janeiro de 1897 com a sr.a Ro-salina Perpétua Brasil, de 33 anos de idade, natural de Santo Antão do Topo, filha de Manuel Baptista e de Maria Perpétua. Morou na sua casa ao lado norte da praça; e depois à esquina, lado esquerdo da canada que leva ao forte de Santo Espírito; casa legada a sua esposa por sua tia Ana Perpétua, por largos anos merceeira nesta vila, e casada com José António da Silva Regalo. Este foi um bom construtor de iates, barcos grandes de cabotagem, e barcos de pesca. Aquele prédio era de João de Matos de Oliveira, que em 1833 o houve dos herdeiros de António Silveira Neto, minorista, que o tinha construído em princípio do século XIX.

Este Neto era hábil em mecânica, fazendo relógios de pesos, e trabalhando em oiro e prata com certa perfeição. Era dos Netos da Ribeira Seca, descendente do cap. mor Gaspar Nunes Neto, e também irmão do P. Franciseco de Azevedo Machado Neto, cura da Matriz, mestre de capela, professor de latim e ouvidor eclesiástico nesta vila; e construiu um bom prédio, em 1811, ao norte do forte de S. João Baptista. Este padre faleceu em 13 de Junho de 1831, com 67 anos de idade.

António Silveira Neto teve um filho natural, o mestre Damião de Sousa, que constituiu família na Ribeirinha do Pico, homem muito hábil em toda a obra que se propunha realizar, tendo ali descendentes e uma neta cega, surda e muda, a qual é um prodígio e causa admiração pela extraordinária delicadeza de tacto e agudeza de olfacto.
De seu consórcio houve Manuel de Ávila Brasil D. Amélia de Avila Brasil, nascida em 6 de Março de 1901 e casada com o sr. José Tristão da Cunha, de Santa Cruz da Graciosa, e digno empregado da Estação Postal desta vila da Calheta, e Tibério de Avila Brasil, nascido em 23 de Agosto de 1903, e primeiranista de medicina em Coimbra.

Foi um dos fundadores da Sociedade Estímulo desta vila, com sua casa de teatro, bilhar e filarmónica, cuja inauguração se fez brilhantemente em 10 de Agosto de 1902. Pertenceu à comissão gerente como tesoureiro, prestando bons serviços àquela excelente instituicão. Homem sério, tinha força moral que o fazia respeitado. Faleceu no hospital de Ponta Delgada, vitimado por uma pneumonia, em 27 de Abril de 1908.

Manuel de Avila fez falta neste meio, porque era inteligente, presti-moso, carácter leal, patriota convicto, em suma um excelente cidadão.
Seus ossos vieram de S. Miguel, e acham-se depositados, em urna própria, no jazigo-capela de nosso pai Manuel de Azevedo da Cunha, levantado em Abril de 1905, no cemitério municipal da Fajã Grande, a expensas de nosso irmão José de Azevedo da Cunha.
2.º filho António, nascido em 25 de Abril de 1856, e falecido de sete anos em 16 de Fevereiro de 1863.
Andando por sobre os rochedos da costa do mar, abaixo da casa de seus pais, ao sul da matriz, caiu, sobrevindo-lhe um tumor na ilharga, de que em breve veio a sucumbir.
3.º filho José de Ávila Brasil, nascido em 27 de Fevereiro de 1858.
Casou nesta matriz em 9 de Outubro de 1878 com a sr.a Rosalina Augusta Brasil, natural da Praia da Vitória, Terceira, e filha de Manuel Francisco de Melo e de Maria Josefa, naturais das Pontas Negras, Ribeiras do Pico, donde emigraram para Angra, no ano de 1848. Do seu consórcio houve José de Ávila cinco filhos:
1.º Boaventura, nascido em 10 de Maio de 1880 e falecido no hospital de Angra em Setembro de 1902;
2.º Manuel, nascido em 2 de Outubro de 1884, e falecido no mar, e um dos catorze infelizes vitimados do naufrágio do bote Mariana, em 10 de Setembro de 1896;
3.º João de Avila Brasil, nascido em 21 de Setembro de 187. Saiu para o Rio de Janeiro em 15 de Abril de 1909 e foi um dos empregados da Charutaria Havanesa do Largo de S. Francisco de Paula, pertencente a nosso irmão José de Azevedo da Cunha;
4.º filho Albano, nascido em 8 de Dezembro de 1892 e falecido, com sete meses, em 13 de Junho de 1893;
5.º filho Teófilo de Ávila Brasil, nascido em 22 de Agosto de 1902, é actualmente caixeiro do sr. Augusto de Azevedo Ferreira da Cunha, com estabelecimento de tecidos ao lado do sul da Praça desta vila, em prédio construído de 1850 a 1852 por José Acácio de Bettencourt, neto materno do cap. António Faustino Pereira. Esse prédio pertence hoje, por compra, a meu irmão José de Azevedo da Cunha.

José de Avila Brasil também emigrou para o Ireka. Embarcou em Abril de 1885 no excelente veleiro Maria Inês, iate de Provincetown, que meses antes fizera escala pela Calheta com destino a Lisboa, comandado por nosso primo, o inolvidável capitão José da Cunha Ferreira. Vinha dos Estados Unidos com carregamento de bacalhau a vender na capital.
No Ireka, José de Ávila adoeceu, retirando-se para os Açores em Setembro de 1887, no iate Barcan Flat de Boston. Em 24 de Novembro desse ano foi, pela primeira vez, acometida de doença nos olhos, manifestando-se o mal pela dilatação da pupila. Tratado no hospital de Ponta-Delgada pelos distintos clínicos Bruno' e Manuel Maria da Rosa, não conseguiram estes curá-la, ficando ele completamente pego aos 30 anos de idade. Desde então adquiriu certa faculdade de se orientar nesta vila e freguesia, andando só e ocupando-se no amanho de algumas terras, culti-vando-as com acerto, conformando-se, resignado com sua triste sorte.

Revelou habilidade para as letras e mecânica, trabalhando enquanto viu, em obras de carpintaria e de marceneiro. Goza da estima compa-decida de todas as pessoas desta vila.
4.º filho de João de Avila Brasil e de Felizarda Rosa Maria Amélia da Silveira, nascida em 26 de Março de 1860. Casou a 28 de Janeiro de 1884 com Manuel Silveira Pereira, natural de S. Pedro de Angra, e filho de António Silveira Pereira e de Maria José. Seus filhos: Rodrigo, nascido a 5 de Novembro de 1883. Saiu para a América em 1903 e casou em Brockton, Massachusetts, com descendência: Teresa Guiomar da Silveira, nascida em 21 de Setembro de 1885. Reside, casada, em Brockton; Adelina A. Sould, nascida em 18 de Janeiro de 1888. Saiu para Brockton em 1904, e lá casou; Adolfo Pereira da Silveira, nascido a 5 de Junho de 1890. Emigrou para a dita cidade de Brockton em 1904, e ali se alistou na marinha de guerra. Está casado, com descendência; José, nascido em 2 de Outubro de 1891 e falecido com oito meses de idade, a 13 de Junho de 1892; Jaime Pereira Brasil, nascido em 6 de Abril de 1893. Foi caixeiro do sr. Augusto Ferreira, e membro da filarmónica Estímulo desta vila, pelo que chamado ao servico do exército, ingressou na banda militar da cidade da Guarda, onde casou; José, 2.º de nome, nascido em 6 de Janeiro de 1896. Está em Brockton; Maria Amélia da Silveira, nascida em 12 de Outubro de 1897. Está solteira. Esta com seus irmãos José e Teresa, emigraram para Brockton dos Estados Unidos, no 1.º de Fevereiro de 1921. E Teresa casou com um italiano Fulano Ferreira.

[1] Dr. Bruno Tavares Carreiro (1857-1911).
5.º filho de João de Avila Brasil Carolina de Ávila Brasil, nascida a 2 de Dezembro de 1861. Em 2 de Agosto de 1897 contraiu matrimónio com Francisco José da Silva, da Ribeirinha do Pico, filho de Manuel José da Silva e de Emília de S. José. Sem descendência. Está viúva. Carolina faleceu de uma síncope, repentinamente, no dia 9 de Outubro de 1925.
6.º filho António de Avila Brasil, 2.º de nome, nascido em 26 de Junho de 1863. Saiu para o Ireka em 1881. Casou ali com Joana, filha de José Francisco, do Faial, e tem filhos; 7.º filho João de Ávila Brasil, nascido a 26 de Fevereiro de 1865. Em 1883 emigrou para onde seus irmãos, saindo no iate Liduina, capitão Silva, e piloto Militão Pacheco de Oliveira, desta vila. No Ireka casou com outra filha do dito faialense José Francisco e tem descendentes; 8.º filho Francisco de Avila Brasil, nascido a 7 de Março de 1867. Em 1884 já se achava com seus irmãos no dito lugar da Califórnia. Casou ali. Teve filhos. E faleceu com 51 anos, na data de seu nascimento 7 de Março de 1918; 9.º filho Virgínia de Avila Brasil, que nasceu a 4 de Setembro de 1869. Acompanhou seu primo Francisco de Azevedo da Cunha para o Rio de Janeiro no ano de 1888, e ali contraíram matrimónio. Faleceu, com 33 anos, em 9 de Novembro de 1902. E seu marido faleceu com 64, em 1908. Deixaram seis filhos: Miguel de Azevedo da Cunha, que se empregou como condutor de automóveis; Calisto de Azevedo da Cunha, pertencente ao corpo de polícia civil daquela grande metrópole; Oscar de Azevedo da Cunha, empregado comercial; Cícero de Azevedo da Cunha, que cursou o colégio dos Caetanos, em Braga, por protecção de seu padrinho nosso irmão José de Azevedo da Cunha. Adoecendo de amolecimento cerebral, faleceu em Lisboa em Julho de 1916; Maria de Azevedo e Rosa de Azevedo. Cursaram a escola normal do Rio, para exercer o magistério; 10.º filho de João de Avila Brasil Isabel, nascida a 4 de Junho de 1871. Faleceu de escrófulas em 4 de Março de 1879. Felizarda Rosa faleceu em 22 de Julho de 1884, com 62 anos de idade.
2.º filho de Manuel de Avila Brasil e de Isabel Inácia: António de Avila Brasil, nascido a 8 de Dezembro de 1830 Casou na Piedade do Pico, em 1865, com Isabel Perpétua, da Ribeirinha, e filha de José Pereira e de Maria de Jesus.

Filhos: Maria Perpétua de Avila, nascida no 1.º de Março de 1866. Vive solteira nesta vila, em casa que foi de,seus pais; José de Avila, nascido a 28 de Agosto de 1870. Emigrou para a América do Norte em 1890. Vive nas proximidades de Boston, casado com uma senhora viúva; Rosa Perpétua de Avila, nascida a 2 de Setembro de 1873. Em 5 de Outubro de 1891 casou com seu primo co-irmão José Pereira de Sousa, da Ribeirinha, e filho de João de Sousa e de Maria de Jesus. Filhos: Miguel Pereira de Ávila, nascido a 24 de Agosto de 1892 Faleceu da gripe, em 4 de Maio de 1920; Maria Perpétua, nascida a 29 de Junho de 1900. Casou com José Jacinto, do Carvalho; Noé, nascido a 4 de Outubro de 1905 e falecido em 14 do dito mês e ano; José Pereira, nascido a 17 de Abril de 1907. António de Ávila Brasil empre-gava-se na faina marítima, falecendo, com 82 anos, em 7 de Dezembro de 1912.

Sua mulher, Isabel Perpétua, faleceu, com 63 anos em 9 de Fevereiro de 1901. Sua morada era o quinto prédio à direita a quem sobe do porto para a Praça desta vila, prédio que Francisco de Azevedo da Cunha havia comprado a Joaquim Silveira de Azevedo dos Biscoitos, para estabelecer venda, em que se entreteve nos últimos anos de sua vida, porquanto, sendo um gotoso, entrevou, deixando por isso de navegar.
3.º filho de Manuel de Ávila Brasil e de Isabel Inácia: José de A.vila Brasil, nascido a 19 de Abril de 1834. Emigrou para o Rio de Janeiro, e dali para Califórnia, em 1853. No Ireka casou com Ana Dias, filha de Joaquim Dias, natural da Ribeira do Almeida, desta ilha de S. José. Deste consórcio houve três filhos Francisco, José e Manuel, e duas filhas Maria e Ana, todos casados; 4.º filho de Manuel de Avila Brasil Cândida de Avila Brasil, nascida a 2 de Janeiro de 1842 Casou em 5 de Junho de 1875 com António Silveira de Avila, filho de Manuel António da Silveira e de Ana Silveira, todos desta freguesia. Filhos de seu consórcio: Manuel Silveira de Ávila, nascido a 25 de Dezembro de 1874. Emigrou para Newman, Califórnia, em 1893. Voltando a S. Jorge em 1908, casou em Ponta Delgada, S. Miguel, em 24 de Abril de 1909, com Etelvina da Glória Frias, regressando logo à Califórnia. Tem um filho Gualter Frias de A.vila, nascido em 5 de Novembro de 1910; 2.º Maria Cândida de Ávila, nascida a 15 de Novembro de 1876. Casou com o sr. João Augusto Terra, em 30 de Julho de 1921; 3.º Isabel Cândida de Ávila, nascida a 17 de Dezembro de 1878 e faleceu solteira em Angra, no ano de 1900; 4.º Rosa Cândida de Ávila, nascida a 4 de Outubro de 1881. Emigrou para S. Lean-dro, da Califórnia, em 1909, onde vive em estado de solteira; António Silveira de Ávila faleceu nesta vila, com 76 anos, em 16 de Fevereiro de 1909; Manuel de Ávila Brasil e Isabel Inácia tiveram mais uma filha, chamada Maria, que nasceu a 14 de Março de 1838 e faleceu infante.
2.º filho de Maria Jacinta de Ávida, casada com João Cardoso Vieira: Maria Jacinta, casada, a 27 de Janeiro de 1823, com Joaquim José Dutra e falecida nesta vila com 53 anos, em 23 de Abril de 1847. Filhas: Manuel Jacinto Dutra, nascido a 15 de Dezembro de 1823. Casou duas vezes, com prole dos dois matrimónios; Maria Jacinta Dutra, nascida a 21 de Novembro de 1825. Casou, em 13 de Junho de 1850, com António Silveira Leal, filho de António Silveira Leal, e Isabel Faustina, sendo 3 os filhos daquele casal: João Leal Dutra, nascido a 6 de Abril de 1854. Foi casado, e faleceu em Boston, no ano de 1890 Sua esposa era natural de Angra: Manuel Leal Dutra, nascido em 23 de Setembro de 1856. Casou com Mafalda da Conceição, filha de Felizberto de Sousa, desta vila, c era filho do cap. Jacinto Soares de Albergaria, das Velas. Mafalda da Conceição é também falecida, deixando dois filhos: José, cego desde seu nascimento, e Maria da Conceição, casada com Manuel de Matos, desta vila com descendência; 3.º filho, o sr. P.e José Jesuíno Dutra, nascido a 11 de Novembro de 1858. Ordenou-se de presbítero em 1884, paroquiando actualmente na vizinha freguesia de S. Tiago.

3.º Filho de Joaquim José Dutra e de Maria Jacinta João António Dutra, nascido a 13 de ulho de 1830. Casou no Faial com Henriqueta Carolina. Com descendência. 4.º filho José António Dutra, nascido a 3 de Maio de 1836. Casou nas Flores Com descendência. Tiveram mais uma filha Rosa, nascida em 11 de Janeiro de 1828, e faleceu de menor idade.
3.º filho de João Cardoso Vieira e de Maria Jacinta de Ávila: Jacinta Rosa, casada em 24 de Novembro de 1826 com João de Azevedo Machado, conhecido por João Inácio de Azevedo (Casaca) filho de José Inácio Goulart e de R. Rosa Silveira. Filhos: Manuel, nascido em 28 de Janeiro de 1833; João, nascido em 5 de Maio de 1835; e Mariana que saíram para a América e lá casaram; António que faleceu, solteiro; e Joaquim José de Azevedo, conhecido por Joaquim Inácio, nascido em 23 de Janeiro de 1837
José Inácio Goulart e de R Rosa Silveira. Filhos: Manuel, nascido em 28 de Janeiro de 1833; João, nascido em 5 de Maio de 1835; e Mariana que saíram para a América e lá casaram; António que faleceu, solteiro; e Joaquim José de Azevedo, conhecido por Joaquim Inácio, nascido em 23 de Janeiro de 1837.
Casou nesta vila, em 29 de Novembro de 1856, com Maria do Rosário, filha de Francisco Quaresma e de Isabel do Rosário, da Ribeirinha do Pico.
Joaquim Inácio faleceu de cancro na face, a 30 de Agosto de 1909; e sua mulher Maria do Rosário, com 83 anos em 21 de Março de 1910.
Seus filhos: Maria do Rosário, nascida a 20 de Outubro de 1857. Casou em 26 de Abril de 1885 com Manuel Machado Homem, viúvo de Maria das Dores, falecida em 20 de Agosto de 1884, e era filha de João Francisco da Silva e de Mariana Jacinta; Carolina, nascida em 4 de Janeiro de 1862; Joaquim, nascido a 23 de Outubro de 1863; José, nascido a 17 de Agosto de 1865 e falecido em 20 de Fevereiro de 1868; João Inácio, nascido a 14 de Abril de 1866. Casou nesta matriz em 11 de Setembro de 1893, com Maria Adelaide Cabral, da qual está viúvo, ficando-lhe uma filha de seu matrimónio; José Dugan, nascido a 23 de Fevereiro de 1868 e se encontra casado em Brewter; Dionísio, ou Dinis Dugan, nascido a 4 de Março de 1870, e também está casado em Brewter, América; Emília do Rosário, nascida em 5 de Novembro de 1873 e casou nesta matriz em 19 de Setembro de 1910 com José Pereira Soares, natural de Santo António, desta ilha, filho de João Pereira Soares e de Constância de Azevedo.
José Pereira veio de Newman, Califórnia, onde por seu trabalho honrado adquiriu fortuna considerável. Deste casal há uma filha chamada Maria do Rosário Soares. Moram nesta vila.
Dos filhos de Joaquim Inácio são falecidos, há 26 anos, aproximadamente, Carolina e Joaquim, que morreram solteiros, Carolina em New Bedford, e Joaquim na Califórnia.
Do casal de Manuel Machado Homem e de Maria do Rosário houve os seguintes filhos: Carolina, nascida em 1886. Casou em New Bedford, no dia 29 de Junho de 1908, com Agostinho Jacinto Pereira, do Topo, e filho de Manuel Jacinto Pereira e de Rosa Violante Goulart. Filhos: Leonel Machado Pereira, nascido em 1910; Júlia Machado Pereira, nascida em 1911 e Agostinho Machado Pereira, nascido em 1913. É já falecida; Júlia, nascida a 11 de Fevereiro de 1887. Casou na mesma cidade, em 1904, com Guilherme Silva, filho de Manuel Silva, do Pico. e de Rosa Emília, do Faial. Filhos: Manuel Machado Silva, nascido em 19D6; Guilherme, nascido em 1807; e Cremilde, nascida em 1909; João Machado Homem, nascido a 21 de Fevereiro de 1888. Casado em 30 de Janeiro de 1911, com Delfina de S. Pedro, filha de Francisco de Sousa e de Catarina Amélia, naturais de Angra. Seus filhos: Maria Delfina Homem, nascida em 9 de Novembro de 1911; José Machado Homem, nascido em 7 de Maio de 1913, e Manuel Machado Homem, nascido em 7 de Maio de 1913, e Manuel Machado Homem, nascido em 6 de Outubro de 1917. Saíram para Santa Clara da Califórnia no 1.º de Fevereiro de 1921.
4.º e último filho de Manuel Machado Homem Augusto, nascido em 19 de Março de 1889. Casou na Igreja do Carmo, em New Bedford, no ano de 1911, com Joaquina Silva, filha de Camilo Sanches da Silva, dos Rosais desta ilha de S. Jorge, e de Maria Henriques da Silva, da ilha das Flores. Reside com sua mãe e irmã Júlia na dita cidade de New Bedford.

Jacinta Rosa, filha de João Cardoso Vieira e de Maria Jacinta de Ávila, foi casada com João Inácio (Casaca) em 24 de Novembro de 1826. Seus filhos, que nos Estados Unidos adoptaram o cognome de Dugan, foram: João Dugan, casado com Carolina Dugan, da ilha da Madeira, sem descendência; António Dugan, que não casou; Manuel Dugan, casado com mulher da «nacão» por nome Rebeca Dugan, sendo seus filhos: Filomena Dugan; Flossie Dugan; Robert Dugan; e Best Dugan. 4.º Mariana Dugan, que teve um filho natural de Manuel Maio, desta freguesia de Santa Catarina, chamado José Maio, que casou com Maria Maia, natural das Flores.

De João Inácio e de Jacinta Rosa, houve mais um filho Joaquim Inácio, casado com Maria do Rosário, cujos filhos residentes em Brewster, também adoptaram o apelido Dugan, a saber: José Dugan, casado com Maria, filha de seu avô João Inácio (Casaca) e de sua 2.a mulher Mariana Faustina, dos quais um filho: João Calfete Dugan. E Dionísio, ou Dinis Dugan, casado com Joana Dugan; sendo filhos Artur Dugan, Carolina Dugan, May Dugan e Denis Dugan.
Vemos como, em menos de um século, se multiplicaram nesta freguesia de Santa Catarina os descendentes de Francisco de Azevedo da Cunha, e de Francisco Fereira e de Maria de Ávila; os quais em parte se espalharam pelo mundo, mormente pela América do Norte.
Nos netos de Francisco Ferreira ficou tradicional a brandura de carácter, a mansidão, e espírito religioso de seu avô.

Porquanto, conta-se que alguns díscolos da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, pouco respeitadores do alheio, como sempre tem havido em todos os tempos e lugares, deitavam ovelhas, peadas, a pastar em terras dele, semeadas de trigo já enrelvado, terras muradas e de portal tapado. Francisco Ferreira não procedia judicialmente exigindo perdas; nem levava aquele gado ao curral do concelho. Mas tomando nos braços as ovelinhas as colocava na estrada, paciente e moderado, admirando-se, resignado, da malícia alheia.

Os que passavam estranhavam tanta moderação, dizendo alguns: «Sr. Francisco Ferreira, se o trigo fosse meu esse gado não saía vivo desse prédio». Ao que ele obtemperava: «Não se vá sem resposta. O dono deste gado é que errou; estas alimarinhas cuidam que tudo é seu. Não tendo culpa, não se lhes deve fazer mal». Resposta digna de um filósofo ou de um cristão de arreigadas crenças.
Este único facto define um homem, e dá ideia de seu valor moral. Seu filho Francisco morreu em Lisboa de saudades da sua terra. Era pois uma família de amorosos, cujo carácter foi herdado por alguns de seus descendentes.
Muitos outros viriam colonizar a Calheta. Ignoramos, porém, em que condições aportaram aqui, se como senhores, se como simples arro-teadores por conta daqueles. Porquanto, à falta de registos paroquiais, restam somente limitadas justificações de parentesco, que eram exclusivas de certas famílias, e só por correlação se referem a outras com quem se houvessem ligado por consórcio.
Como a Calheta foi colonizada tarde, acorreram a este lugar sujeitos de outras partes onde não teriam obtido colocação. E como no princípio havia cá pouca gente, os que de novo ingressavam eram sempre bem acolhidos e bem vindas, donde no futuro derivou o provérbio: A Calheta é madrasta para seus filhos e mãe para os estranhos.

Vieram para esta jurisdicão, em todo o decorrer dos anos, sujeitos da ilha de Santa Maria, de S Miguel, da Terceira, e nomeadamente da Praia, S. Sebastião, S. Mateus, Altares e de Angra. Vieram da Graciosa para o Norte Grande. Vieram da Piedade do Pico; dos Flamengos do Faial; e até das Flores.
E como, em regra, todo o que emigra tem carácter aventureiro, e destes, embora alguns desequilibrados, são todos mais ou menos inteligentes, segue-se que estes povos são astutos, ladinos, alegres, francos e maliciosos; e assim um pouco diferentes da gente de certas terras de Portugal, ingénua, e às vezes boçal.
Alguns dos que voltam do Brasil, ou da América do Norte, onde se demoraram vários anos, trazem certo grau de civilizacão superior à dos que por cá ficaram.
Foram, viram, usaram, adaptaram-se ao meio, assimilaram, modificaram o carácter, em suma, aproveitaram.

De princípio vieram os Enes, Dias Vieiras, Dias de Lemos, Teixeiras, Nunes, Pereiras, Brasis, Azevedos, Fernandes, A.guedas, Rodrigues, Pires, e Cunhas. A seguir os Gonçalves, Gonçalves das Figueiras, Bairros, Fagundes, Froes, Machados, Rodrigues de S. Pedro, Ferros, Pires do Couto, Dias da Bica, Borbas, Quadros, Reis, Cardosos, Gatos, Belos, Ferreiras, Soares, Ávilas, Castanhos, Souto Maior, Vilalobos, Silveiras, Trindades, Quaresmas, Fragas, Quadradas, Amarais, Beliagos, Cordeiros, Correias, Al-nadas, Martins, Jordões, Pais, Mendonças, Gregórios, Maciéis, Mirandas, Ornelas, Lainhas, Paivas, Dutras, Freitas Goularts, Valadões, Pains, Ramos, Silvas, Oliveiras, Lobões, Aguiar, Costas, Ramalhos, Gregórios, Matos, Monteiros, Sanches, Campos, Botelhos, Coelhos, Pedrosos, Sarmentos, Fontes, e Farias.

Os Avilas, Matos, e Silveiras vieram do Topo.

Aguiar, Costas, Gregórios, Ramalhos e Valenças, da Ribeira Seca.

Lainhas, Monteiros, Sanches, e Vieiras Campos do Norte Grande.

Oliveiras do Topo, Manadas e Rosais. Goularts do Topo, e da Piedade do Pico.

Freitas e Valadões das Velas. Beliagos, Fragas, Freitas, Pains, Quaresmas, Ramos, e Correias da Piedade, Pico.

Quadros Lobão, Miranda, Pais, e Correias da Silva, da Praia da Graciosa.

Dutras, dos Rosais desta ilha de S. Jorge, e do Faial. Silvas de Angra.
E Cordeiro da vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel, sendo o 1.º deste apelido Francisco Cordeiro, já falecido em 1675, casado com Agueda Jorge, «fregueses» da dita Vila Franca.
O povo iletrado, mas inteligente e malicioso, prefere cognominar as pessoas pela alcunha, a que chamam apelido ou traquete, a tratá-las pelo próprio nome e sobrenome. É mais rápido; mas só na ausência. dos possuidores o fazem, porque a alcunha é quase sempre odiosa.

Expomos algumas dos tempos passados. O Anjinho, a Aranha, a Avó, o Bacalhau, a Baldareja, o Balra, (Balravento), o Bezerra, o Bico de galo, o Bil-ró, o Birreste, o Bisugo, o Bolas, o Bravo, o Buina, o Búzio, o Cabedal, o Cagarrinho (cognominação dada a toda o sujeito da ilha de Santa Maria que venha estabelecer-se aqui), o Calafum, o Cangui-nha, o Canudo, o Caracol, o Caranguejo, o Carlas, o Castanha, o Chará, o Cireneu, o Chuché, o Coco, o Comprido, o Conduto, o Congro, o Delgado, o Estragado, o Faneca, o Farrapão, o Fedacão, o Fronguinha, o Galego, o Galinha, o Garrafa, o Graveto, o Lóló, o Mede canadas, o Molho de tripas, o Nordeste, o Nuvem negra, o Ova de lapa, o Pandina, o Pantica, o Patente, o Papão, o Picardo, o Pelica, o Pinga nariz, o Poltrica, o Quinte, o Rabão, o Rangana, o Rei da Rússia, o Sabugo, o Sete Costas, o Tamujo, o Trinca, o Trovão, o Vaca de Grande, o Velalatina, o Vermelho, e o Viola.

Em meados do século XVI, numa população de 100000 almas, tinha Lisboa para mais de 10000 escravos, mouros e negros (Pinheiro Chagas).
Certamente que muitas famílias desta ilha tiveram seus serviçais de cor, vindas de Angra, ou directamente de Cabo Verde e do Brasil. Alguns propagaram, havendo constituído família com pessoas de sua condição, ou cruzando até com sujeitos da raça branca, o que se reconhece ainda hoje pelos traços fisionómicos de certa gente, se bem que em limitado número.

Notam-se igualmente entre nós tipos de procedência flamenga, especialmente no Topo e Ribeira Seca, e que usam o apelido Silveira, Goulart, Matos e Ávila.
Há também o tipo loiro, inglês, procedido de Alexandre Glayer, natural de Londres, donde no século XVIII veio para Angra, sendo deserdado por sua família, porque na Terceira abjurou o protestantismo, casando catolicamente com Isabel Blayer. Tiveram um filho, José Blayer, e não sabemos se mais, baptizado na Sé, o qual vindo para as Velas ali casou em 6 de Novembro de 1728 com Faustina Maria da Silveira, filha do cap. Domingos Goncalves Fagundes e de Beatriz Alvares da Silveira

Seu filho José Blayer da Silveira, que, em 1763, era Tabelião e Escrivão Judicial, nas Velas, casou em 12 de Agosto de 1755, com D. Ana Maria da Silveira, filha de Mateus da Cunha Toste e de D. Clara Maria da Silveira; e foram moradores da Urzelina. Tiveram um fílho que veio casar a esta freguesia de Santa Catarina, e aqui se estabeleceu: José Tomás Blayer da Silveira, nascido em 1772, e casado com D. Maria Faustina da Silveira, filha do cap. António Faustino Pereira e de Maria Bernarda.

O capitão António Faustino Pereira, inteligente e homem activo, foi por vários anos arrematante dos dízimos, aumentando sua fazenda. Faleceu em 16 de Junho de 1799. Foi filho de Manuel Pereira Leal e de Francisca Rodrigues, e neto paterno de João Leal, e bisneto de António Leal de Valença, descendente do primitivo povoador Pero Enes de Valença e de Isabel Casada Barreto. Casou em 13 de Janeiro de 1755, com Maria Bernarda, filha de Pascoal de Sousa Pereira e de Maria Vieira da Cunha, todos dos Biscoitos; e tiveram 5 filhos: o P.e Pas-coal de Sousa Pereira, falecido em 5 de Setembro de 1792, com 36 anos de idade, Maria Faustina do Nascimento, casada com o tenente Francisco António da Silveira, irmão do P.' Filipe de Sousa Teixeira, e ambos filhos de António José de Sousa, de S. Tiago; o cap. António Faustino da Silveira, pai de Joaquim Silveira de Sousa, e este pai de José Faustino da Silveira e Sousa, benemérito calhetense, há pouco falecido, e foi casado com sua prima a sr.a D. Maria Madalena Blayer da Silveira; D. Maria Faustina, casada em 29 de Janeiro de 1800, com Antão Pereira de Borba, filho de António Pereira de Sousa, e de Maria Josefa, casados em 3 de Junho de 1753, e este filho do alferes Antão Pereira de Sousa, e de Maria de Borba, ele filho de Domingos Afonso de Sousa e de Maria da Cunha Vieira, e ela filha de Pedro de Borba, filha de João Gonçalves das Figueiras, e Domingos Afonso de Sousa, filho do cap. Baltasar Luís Pereira, atrás mencionado.

O cap António Faustino Pereira casou 2. vez com Maria de Quadros da Silveira Lobão, oriunda da Graciosa, tendo 7 filhos: Faustino António da Silveira (Tenente) casado com D. Rita Antónia da Silveira, de que já nos ocupámos, quando lhe assinámos a descendência de Pero Enes de Valença, pela linha de seu neto Tomé Gregório, 1.º cap. mor da Calheta; Faustina Inácia, casada com António Silveira de Azevedo, em 13 de Janeiro de 1810; Teresa Laureana, casada em 21 de Junho de 1810, com João Machado de Azevedo, filho do cap. Manuel Silveira Machado, filho de Nicolau Silveira e de D Maria de Azevedo, e esta filha do sarg. mor António de Azevedo Teixeira, neto do cap. mor Manuel de Azevedo; Rita Inácia Delfina, casada em 28 de Setembro de 1811, com Francisco José de Bettencourt, pais de José Acácio de Bettencourt, casado com D. Emília Bernardo de Bettencourt, filha de José Bernardo de Sousa, das Manadas, e de sua mulher Ana Luísa de Oliveira, desta freguesia, e filha de Matias de Matos e de Luísa Rosa de Oliveira.

José Acácio foi por largos anos encarregado do serviço postal, recebedor do concelho, negociante de tecidos nesta vila, e proprietário com Manuel José Machado e outros, de muitos iates construídos neste porto, e que navegavam entre estas ilhas, mormente para S. Miguel.
José Acácio, nascido em 1815, e falecido em 13 de Novembro de 1885, não deixou descendência legítima, mas de Maria Clara do Sacramento, viúva de João de Sousa Belo, houve um filho José Bernardo, casado e residindo na ilha de Santo Antão de Cabo Verde. De. Josefina Rodrigues, de S. João do Pico, mas moradora desta vila, deixou este José Bernardo um menino e uma menina.
Rita Inácia Delfina, mãe de José Acácio, faleceu com 92 anos, em 23 de Março de 1877.

Outros filhos do cap. António Faustino Pereira e de Maria de Quadros: Luísa Laureana, solteira; Mariana Delfina casada com António Faustino Blayer, e José Joaquim da Silveira.
Do casal de José Tomás Blayer e de Marta Faustina nasceram 5 filhos: O Tenente António Faustino Faustino Blayer, casado em 1826, com Mariana Delfina da Silveira, sem descendência;
José Faustino Blayer, casado em 25 de Outubro de 1834, com D. Rita Teresa, filha do alferes José Francisco Flores e de D. Mariana Luísa, das Velas.
Filhos: Joaquim José Faustino Blayer; João; José Blayer da Silveira, falecido na cidade de Adelaide, na Austrália; António Faustino Blayer, casado com Isabel Faustina (Cavaquinho), da qual 4 filhas Ana, outra Ana Blayer, casada nas Manadas, Maria Blayer, e Rita Augusta Blayer, casada no dito lugar de Manadas com João Miguel Silveira.
De Georgina Constância da Silva, do Norte Pequeno, houve António Faustino Blayer um filho Virgínio Blayer da Silveira, casado, com mercearia nos Rosais.
5.º filho de José Faustino Blayer e de D. Rita Teresa D Mariana Blayer, vivendo com seus filhos José, Maria, Rita, e Florinda, em Fall River, da América do Norte;
João Faustino Blayer, casado com Bárbara Jacinto. Filhos: Marta Faustina e José Faustino, que faleceram solteiros, e Ana Faustina, casadacom José Faustino Correia, que se dizia filho do tenente Faustino António da Silveira.
Do casal de José Faustino Correia houve apenas uma filha Maria Faustina Blayer, que é falecida, e casou com o sr. Jorge Machado da Rosa, Cabo de mar deste porto, havendo os filhos seguintes: João Cândido, Maria Catarina e José;
D. Maria Madalena Blayer, casada em 1826 com Jorge Faustino de Azevedo, dos quais a sr.a D. Maria Madalena da Silveira, a quem já nos referimos, a sr.a D. Marta Blayer da Silveira, viúva de José Maria do Carvalhal de Azevedo, professor primário desta vila, dos quais D. Joana do Carvalhal, casada com Vitorino José Belo, com numerosa descendência; Maximiano do Carvalhal de Azevedo, casado em Califórnia; D. Maria Úrsula do Carvalhal, casada com o sr. António Faustino de Borba, digno Tesoureiro de Finanças deste concelho; e D. Rosa do Carvalhal, solteira.

Do casal de Jorge Faustino de Azevedo houve mais três filhos João Faustino Blayer da Silveira, casado em 28 de Novembro de 1846 com Maria das Dores, filha de Manuel José Martins e de Isabel Cândida. João Faustino, oficial baleeiro, faleceu na Baía de Hudson, em direcção ao pólo do Norte, por naufrágio da canoa a que pertencia. Sua viúva casou mais ta.rde com Francisco Correia Borges, não havendo descendência de nenhum de seus consórcios;
D. Ana Tomásia Blayer, casada em 1828 com José Machado de Azevedo, do Carvalho, avós dos falecidos sacerdotes P.e José Gregório de Mendonça e P.e Tomé Gregório de Mendonca e do sr. João Gregório de Mendonça, descendência a que nos havemos de referir.

O dito José Tomás Blayer, casado com D. Maria Faustina, houve de Maria Rodrigues um filho natural José Rodrigues, casado com Rita Emiliana, filha de José Machado Cabral e de Umbelina Rosa, filha de Matias de Matos e de Luísa Rosa de Oliveira, já mencionados.
Do casal de Jose Rodrigues houve Maria Rodrigues de Oliveira, que casou com João Caetano de Matos, há pouco falecido, com numerosa descendência, e todos, viúva e filhos, emigrados para a Califórnia.
José Rodrigues teve também de Miquelina Emília um filho natural Manuel Rodrigues Goulart, casado com Maria Clara da Natividade, filha de Joaquim Francisco Machado, das Manadas, e irmão de José Bernardo de Sousa acima mencionado, e de sua mulher (dele Joaquim Francisco) Delfina Luísa da Silveira, moradores à Relvinha.

Do dito Manuel Rodrigues Goulart e de sua mulher, são filhos Maria Miquelina, falecida, e foi casada com José Manuel Teixeira; Manuel Rodrigues, actualmente na Califórnia; e Delfina Adelaide de Azevedo, viúva de Manuel Vitorino de Azevedo, falecido da peste, em 9 de Maio do corrente ano de 1920, havendo de seu matrimónio duas filhas Maria, casada com Albino de Ávila, da Graciosa, e Amélia casada com Herculano de Almeida.
Como se vê, a família Blayer, de origem inglesa, da cidade de Londres, acha-se largamente representada nesta ilha, mormente nesta freguesia de Santa Catarina.

Em muitos desses representantes se nota bem acentuado o tipo loiro dos povos do norte da Europa; e nas senhoras tem aparecido algumas, verdadeiros tipos de beleza.
Os outros dois filhos de Jorge Faustino de Azevedo chamavam-se António Faustino Blayer e José Faustino Blayer, que faleceram na América, e aquele designadamente em Point Rey Califórnia.
Falámos do Tenente Francisco António da Silveira, filho de António José de Sousa, da Ribeira Seca, e casado com Maria Faustina do Nascimento, filha do capitão António Faustino Pereira e de Maria Ber-narda. Filhos do dito tenente e de sua mulher Maria Faustina do Nascimento:
1.º Faustino Cândido da Silveira Tesoureiro da Matriz por longos anos, e faleceu solteiro a 10 de Dezembro de 1879, com 85 anos de idade;
2.º O sargento José Silveira Nunes, casado com D. Maria da Graça, moradores no Biscoitinho, à Ribeira da Calheta, e aquela filha do cap. Aleixo Caetano de Sousa e de D. Maria Tomásia.
3.º D. Ana Rosa, casada em 11 de Maio de 1807, com Francisco Leite de Vasconcelos da Terra Brum da Silveira Corte-Real, filho do cap. Raulino da Terra Brum Silveira Corte-Real, e de D. Luísa Delfina, falecido em Junho de 1822.
4.º António Faustino da Silveira, casado em 22 de Maio de 1813 com Bárbara Caetana, moradores na Rua de Baixo, e filha do dito cap. Aleixo Caetano de Sousa;
5.º Faustina Inácia, casada em 10 de Fevereiro de 1814 com António de Azevedo Machado, filho de João Machado de Borba e de Marta de Azevedo, moradores aqueles no Egipto;
6.º Maria Inácia, casada em 1822 com António José de Sousa, filho do P.e Filipe de Sousa Teixeira, antes de se ordenar, e de Rosa Maria, aqueles moradores no Egipto;
7.º Isabel Bernarda, casada em 1831 com Francisco Machado de Borba, filho de João Machado de Borba e de Bárbara Silveira, dos Biscoitos, e moradores no dito lugar do Egipto;
8.º Francisco António de Sousa, casou em 1832 com Isabel Joanina da Trindade, filha de José Machado de Borba e de Marta da Trindade, moradores também no Egipto.
Pela nota que vamos dar, ainda assim incompleta, dos escravos desta jurisdição, nos séculos XVII e XVIII se vê que nesse tempo havia nestas ilhas muita gente de cor. Se chegaram a ingressar numa terra pequena como a Calheta, que seria em povoações importantes como Ponta Delgada, Angra e Horta?

Esta nota é extraída dos arquivos paroquiais e de alguns testamentos.

Anos : 1567 Joana, Francisca e Maria, escravas de Joana Pires, viúva de João Pires, moradores no Vale das Amoras, acima dos Lameiros.

1594 Guiomar, escrava do P.e Álvaro Pires, desta vila.

1626 Abraão, filho de Margarida de Lima, escravos de Bernardo Gonçalves Teixeira, da Ribeira Seca.

1637 Inês e seus filhos gémeos João, Bartolomeu e Luzia, escravos de António Jorge de Borba, de S. Tiago.

1643 José, Úrsula, Aleixos, Inácio e Madalena, filhos de Francisco e de Maria, todos escravos de Francisco Luís Souto Maior, da freguesia de S. Tiago.

1648 Maria Machado, escrava do capitão Gaspar Nunes Brasil, da Ribeira da Areia.

1649 Catarina, escrava de Pero Luís de Sousa, de S. Tiago.

1652 António, escravo de Inês Fagundes, de S. Tiago.

1652 António, escravo de Bartolomeu Fernandes Cordeiro, desta vila.

1653 Adrião, escravo de Bartolomeu Goncalves, desta vila.

1653 Filipa, Bartolomeu Nunes, João Nunes e Simão Nunes, escravos do sargento mor Bartolomeu Nunes Pereira, desta vila.

1660 Maria da Cruz, escrava de Joana Dias de Azevedo, da Rua Nova.

1660 Matias e Francisca, escravos do capitão mor João Luís Pereira, desta vila.

1687 Bárbara e Antónia, escravos do vigário P.e João Pereira de Lemos, vila.

1700 Atanásia e João seu filho, escravos do capitão Agostinho Pereira de Borba, S. Tiago.

1704 Maria e sua filha Ana, escravas do capitão João de Quadros Pereira, Rua Nova.

1704 Paula e seus filhos Francisca, José, João e Sebastião, escravos do Alferes Brás Pereira de Lemos, vila.

1705 Ana e Maria sua filha, escravas de António Pereira de Borba, Biscoitos.

1707 Manuel, escravo do cap. Miguel Afonso de Sousa, figurando no inventário de sua mulher Leonor Pereira, no valor de 40$000; Vale das Amoras.

1708 Margarida e seu filho Bernardo, escravos do capitão António Álvares Machado, Rua Nova.

1709 Melchior, filho de Agueda, escravos de Baltasar Luís Pereira, Rua Nova.

1709 Domingos e Sebastiana, filhos de Catarina, escravos do capitão António de Azevedo Teixeira, vila.

1709 Joana Gata, escrava que foi do cap. mor Belchior Nunes Pereira. Por alma desta sua escrava consignou Belchior Nunes em seu testamento uma missa rezada: caso único encontrado em dezenas de disposições testamentárias que lemos e decifrámos. Dar-se-á o facto de ser esta a infeliz arrebatada com eira, trigo e bois em 15 de Agosto por uma tromba marítima no local um pouco a leste do Pesqueiro Alto? Os terrenos ao norte e junto desse ponto, pertenceram ao cap. mor Simão Pereira, filho do dito Belchior. Como se vê, é muito fraca a circunstância para fundamentar uma conjectura. Mas a ser assim, o nome de Sumidouro ou de Outeiro de Santa Cruz, dataria do século XVII e não do princípio da colonização. A mais antiga referência que encontrámos ao Sumidouro, ou lugar da Cruz, é do ano de 1654. O cap mor morava no Norte Pequeno.

1710 Bárbara, Agueda, Ana e Caetano, escravos de Joana Dias Pedrosa, Rua Nova.

1711 Bárbara e seus filho Manuel, escravos do alferes André Pereira de Azevedo, Biscoitos.

1712 Pedro e outro Pedro, escravos do cap. João de Quadros Pereira, Rua Nova.

1714 José e Francisca, escravos de Joana Dias Pedrosa, irmã de António Pereira de Lemos, Rua Nova.

1715 João, filho de Margarida, escravo do cap. António Alvares Machado, Rua Nova.

1715 Maria Vieira, filha de Bárbara de Azevedo, escravas do alferes André Pereira de Azevedo, Biscoitos.

1716 Agueda e sua filha Teresa, escravas do P.e Manuel de Azevedo de Sousa, Rua Nova.
1718 8 escravos do cap. mor Simão Pereira de Sousa, e entre estes, Clara e seus filhos António, Francisco, Bartolomeu e Mariana. Clara, mãe dos escravos, faleceu em 4 de Junho de 1729. Vila.

1725 Duarte, filho de Paula, escravos de Manuel Machado Fagundes. Vila.

1728 Bárbara, escrava de D. Maria Machado, mulher do cap. mor Simão Pereira. Vila.

1744 Genoveva e Leocádia, filhas de Helena, escravas do P.e Manuel Álvares Machado. Vila.

1747 Anastácia, filha de Maria, escravas do cap. António de Azevedo Machado.

1753 Domingas e seus filhos, Catarina, Bárbara, Manuel, António, João e Francisca, escravos que foram do sargento mor António de Azevedo Teixeira, falecido em 1737. Vila.

1757 José, escravo do cap. João de Azevedo Pereira, Rua Nova.

1760 Maria da Trindade, escrava de D. Margarida Machado de Azevedo. S. Tiago.

1765 Rita, filha de Bárbara da Encarnação, escravas de D. Marta do Sacramento. Rua Nova.

1780 José, filho de Cecília Rosa, do Faial, escravo do cap. António Faustino Pereira. Biscoitos.

1784 Pedro de Sousa, escravo de D. Rosa Maria da Silveira, viúva de Jorge Brum. Rua Nova.

1789 Maria, cuja avó tinha sido comprada em Cabo Verde, escrava do cap. Raulino da Terra. Rua Nova.

1814 Francisco, ex-escravo de José Manuel Teixeira, da Rua Nova.

Total: 98 infelizes.

JUSTIFICAÇÃO DE NOBREZA. OBSERVAÇÕES

No princípio as freguesias de S. Tiago e de Santa Catarina, formavam um só povo, não só pelas condições topográficas, sendo a Calheta o verdadeiro porto da Ribeira Seca, mas também pelas razões de procedência, de parentesco e de dadas de terreno.
Pero Enes de Valenca estabeleceu-se na freguesia de S. Tiago, mas tinha terras no Norte Grande, Ribeira da Areia e Norte Pequeno.
Nuno Jorge, casado com Margarida Toste, estabeleceu-se na Ribeira Seca, e seu irmão Goncalo Nunes Pereira fixou residência nesta vila da Calheta.
João de Agueda, na Calheta, seu irmão Fernando de Águeda na Ribeira Seca.
Aleixos Dias Bica nesta vila, e em S Tiago seu irmão António Dias Bica, já falecido em 1623.

Sendo talvez uma dúzia de famílias o primeiro núcleo de população, é claro que fundindo-se os casais, à terceira ou quarta geração, eram já todos parentes uns dos outros. E como o Topo deu largo contingente aos enlaces matrimoniais da jurisdição da Calheta, é óbvio que no estudo de genealogias preciso é conjugar os respectivos arquivas paroquiais até onde eles remontam, visto serem assim reciprocamente subsidiários.
Que ricas fontes a consultar se a deliberação do Concílio provincial de Lisboa em 1536, tivesse sido logo posta em prática com relação àqueles registos. Incluiriam, sem dúvida, os primeiros que para aqui vieram mondar, cavar, arrotear e lançar sementes à terra.

Os párocos, porém, não compreenderam o alcance social dessa estatística. Nenhum se lembrou de trabalhar para o futuro. Preciso foi até que para cumprimento de tal dever os Prelados lhes cominassem penas.
Justificações de nobreza desta jurisdição, que nos conste, apenas se produizu a de Miguel António da Silveira em 1735, o qual sendo filho de António Silveira e Avila, cap. mor do Topo, veio para a Ribeira Seca, onde era vigário seu irmão, o P.e João Machado Pereira. Casando na família de Lázaro Teixeira dos Santos, casal bem abastado, propôs-se à eleição do chefe desta capitania da Calheta.
É interessante essa justificação por contender com as famílias principais das duas jurisdições, baseada certamente em apontamentos particulares. Nunca foi publicada por ser extensa. Vamos, porém, expor o conteúdo dos seus itens, ou artigos, que foram corroborados pelo depoimento de homens qualificados, mas que certamente em favor de seu testemunho só podiam invocar a tradição oral, ou a probidade do peticionário. Todavia são o único documento que possuímos acerca de algumas famílais a que se refere. E daí o valor e estima que se lhe consagra.

Por este tempo Mateus Machado Fagundes de Azevedo, falecido em 1734, organizara seu livro de genealogias, ainda inédito, com respeito à família dos Machados desta ilha. Possuímos esse bom trabalho que ainda assim precisa de rectificações.

PETIÇÃO

Diz Miguel Antonio da Silveira, morador em o termo da vila da Calheta desta ilha de S. Jorge, que para bem da sua Justiça, e certos requerimentos que intenta, e conservação de sua Nobreza lhe é necessário provar os Itens seguintes. Se sabem que ele suplicante é legítimo filho de legítimo matrimónio de Antónia Silveira e Ávila, Capitão-mor que foi em a Vila Nova do Topo desta dita Ilha da onde ele suplicante é natural, e de sua legítima mulher Catarina Machado de Azevedo, moradores que foram em a dita vila. Item 2 Se sabem que o dito Capitão-mor António Silveira e Ávila, Pai dele suplicante era filho legítimo de legítimo matrimónio do Capitão-Sargento-mor da dita vila João Silveira e Avila e de sua legítima mulher Bárbara Pereira, Avós Paternos dele suplicante. Item 3 Se sabem que o dito Capitão-Sargento--mor João Silveira e Avila, seu Avô Paterno, era filho legítimo e de legítimo matrimónio, de António Silveira e Avila e de sua legítima mulher Agueda Dias, a qual era Bisneta de Pedro Luís de Sousa. Item 4 Se sabem que o dito António Silveira e Avila, segundo Avôdele suplicante era filho legítimo, de legítimo matrimónio de Manuel Silveira e Avila, e por esta linha descendente da Nobre família dos Silveiras da dita Vila, muito nobres e Fidalgos de geracão de sua legítima mulher Ana do Soto Maior. Item 5 Se sabem que a dita Ana Souto Maior era filha legítima de legítimo matrimónio de Baltasar da Cunha Teixeira quarto Avô Paterno dele suplicante, o qual Baltasar da Cunha era Fidalgo da Casa de Sua Majestade, e por esta linha é descendente legítimo das nobres famílias dos Cunhas e Teixeiras; e de sua mulher Adriana de Souto-Maior; e por esta linha descendente legitimamente da nobre família dos Soutos-Mores, também Fidalgos de geração. Item 6 Se sabem que a dita Bárbara Pereira, primeira Avó dele suplicante era natural da jurisdição desta dita vila da Calheta, e filha legítima, de legítimo matrimónio, de Gaspar Nunes Neto, o qual foi o terceiro Capitão-mor em esta mesma vila, e de sua legítima mulher Bárbara de Valença, segundos Avós dele suplicante. Item 7 Se sabem que o dito Capitão-mor Gaspar Nunes Neto era filho legítimo, de legítimo matrimónio, de Gonçalo Nunes e de sua legítima mulher Maria Luís Pereira, terceiros Avós dele suplicante. Item 8 Se sabem que o dito Gonçalo Nunes era legítimo filho de legítimo matrimónio de Nuno Alves e de sua mulher Catarina Fernandes, os quais vieram do Reino para esta Ilha e nela foi bem reconhecida a sua Nobreza, como actualmente estão gozando seus descendentes, como é ele suplicante. Item 9 Se sabem que a supradita Bárbara de Valença, segunda Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Belchio,r Afonso de Valença e de sua mulher Isabel Dias, terceiros Avós dele suplicante. Item 10 Se sabem que o dito Belchior Afonso de Valença, era filho de legítimo matrimónio de Pedro Afonso de Valença e de sua legítima mulher Catarina Rodrigues, quartos Avós dele suplicante. Item 11 Se sabem que o dito Pedro Afonso e,ra filho de legítimo matrimónio de Pedro Anes de Valença e de sua legítima mulher Isabel Casado e Barreto, os quais vieram da Corte de Lisboa, conhecidos nobres Fidalgos, que procediam o dito Pedro Anes de Valença, dos legítimos Valenças, e Leais deste Reino de Portugal, e a dita Isabel Casado e Barreto dos Monises, Barretos e Casados, e legítimos do dito Reino, e como tais a sua Casa era coutada por privilégio Real. Item 12 Se sabem que a dita Isabel Dias, terceira Avó do suplicante, era filha legítima de legítimo matrimónio de Domingos Fernandes e de sua mulher Ana Dias, quartos avós dele suplicante. Item 13 Se sabem que o dito Domingos Fernandes era filho de legítimo matrimónio de Fernando de Agueda, e de sua legítima mulher Maria Anes os quais vieram do Reino, por Nob,res, Fidalgos, e como tais se trataram, e foram tratados, nesta vila; o qual Fernando de Agueda era legítimo Irmão de João de Agueda, o velho, fidalgo Escudeiro da Casa de Sua Majestade, que Deus guarde. Item 14 Se sabem que a dita Ana Dias, quarta Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Sebastião Dias e de sua mulher, a Senhora Senhorinha Gonçalves, Fidalga muito Nobre, que veio da cidade e Corte de Lisboa. Item 15 Se sabem que a dita Maria Luís Pereira, terceira Avó do suplicante, era filha legítima de Gaspar Nunes Pereira e de sua mulher Maria Luís de Sousa, quartos Avós do suplicante. Item 16 Se sabem que o dito Gaspar Nunes Pereira, seu quarto Avô, era filho de legítimo matrimónio de Alvaro Nunes, e de sua mulher Maria Pereira, quintos Avós do suplicante. Item 17 Se sabem que o seu dito quinto Avô era filho de legítimo matrimónio de Álvaro Pires, Sargento-mor que foi no Reino do Algarve. Item 18 Se sabem que a dita Maria Pereira, quinta Avó do suplicante, era filha legítima de Lourenço Vaz e de D. Bárbara Pereira, os quais vieram do Reino do Algarve para a cidade de Angra, onde se aposentaram, e deles procedem as melhores famílias destas Ilhas, que as estão governando assim na Milícia como na República; e a dita D. Bárbara Pereira, era dos legítimos Pereiras deste dito Reino de Portugal. Item 19 Se sabem que a supra dita Maria Luís de Sousa, quarta Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Inês Pires e de João Valido, que veio da Cidade de Lisboa para esta vila da Calheta, e nela conhecido por sua Nobreza, com a dita sua mulher casou, atendendo a sua qualidade dela. Item 20 Se sab-m que a dita Inês Pires, quinta Avó do suplicante era filha de legítimo ;natri-mónio de Pedro Luís de Sousa e de sua mulher Catarina Anes, e que este Pedro Luís de Sousa foi o que principiou as muralhas do Castelo de S. João Baptista, no monte Brasil da Ilha Terceira, que é um dos melhores fortes do Reino de Portugal, por cuja razão lhe chamam Pedro do Brasil. Item 21 Se sabem que o dito Pedro do Brasil, quinto Avô do suplicarit., ou por outra frase, Pedro Luís de Sousa, era filho de legítimo matrimónio de Fernando Luís de Sousa e de sua mulher D. Margarida, moradores que foram em a Nobre Vila de Santarém, o qual Fernando Luís de Sousa, sexto Avô do suplicante, era Fidalgo Filhado em os Livros de Sua Majestade, dos Sousas legítimos deste Reino de Portugal, o que se sabe por se ver escrito em um brazão que tirou o Capitão Francisco de Sousa Machado, de Armas. Item 22 Se sabem ser tão conhecido o nome do dito Pedro Luís de Sousa, assim por sua muita Nobreza e Fidalguia, como pelos muitos serviços que a Sua Majestade, que Deus Guarde, fazia no dito Castelo, que da Corte de Li.sboa veio um Conde a visitá-la com muita particular amizade. Item 23 Se sabem que a dita Catarina Machado, mãe do suplicante era natural desta Vila da Calheta, e filha de Joâo Machado Pereira e de sua legítima mulher Isabel de Azevedo, primeiros Avós pela parte materna dele suplicante. Item 24 Se sabem que o dito seu primeiro Avô era legítimo filho de legítimo matrimónio de Gaspar Nunes Pereira e de sua mulher Ana Machado moradores que foram em o lugar das Manadas, termo da Vila das Velas, desta mesma Ilha. Item 25 Se sabem que o dito Gaspar Nunes Pereira, segundo Avô dele suplicante, era filho de legítimo matrimónio de António Alves e de sua mulher Catarina Pereira, terceiros Avós dele suplicante. Item 26 Se sabem que o dito António Alves era filho de legítimo matrimónio de Nuno Alvares e de sua mulher Catarina Fernandes, o qual veio da Corte de Lisboa casado com a dita sua mulher, e foi dos primeiros Povoadores desta Ilha, muito nobre Fidalgo, e como tal foi tratado e a sua descendência. Item 27 Se sabem que a supra dita Isabel de Azevedo, primeira Avó do suplicante pela parte Materna, era filha de legítimo matrimónio de João de Azevedo e de sua mulher Maria Pereira, naturais e moradores desta dita Vila, segundos Avós do suplicante. Item 28 Se sabem que o dito seu segundo Avô João de Azevedo era filho legítimo de Manuel de Azevedo, terceiros Avós do dito suplicante, e segundo Capitão mor desta Vila da Calheta e de sua mulher Maria Vaz, o qual Manuel de Azevedo sendo Capitão de uma Companhia da Ordenança nesta Vila, junto com o Capitão Tomé Gregório, estes somente, com as suas Companhias, libertaram esta Vila do Tributo que pagavam os moradores dela aos Ingleses, defen-dendo-a varonilmente de uma armada de sete Naus de guerra que com cruenta guerra e grande força de armas e Artilharia acometeram a entrada dela; estes a defenderam somente com o esforço do seu valor, e de seus soldados sem armas nem muralhas mais que um amparo de pau-pique, expondo a sua vida a tão evidente perigo pela liberdade da Pátria e serviço de Sua Majestade, os quais sobreditos Capitães foram depois deste conflito Capitães-mores desta Vila sucessivos um ao outro, e outrossim foram os primeiros que nela serviram neste Posto. Item 29 Se sabem que o dito Capitão mor Manuel de Azevedo, terceiro Avô do suplicante, era filho legítimo de João de Agueda e de sua mulher Maria de Azevedo, quartos Avós do mesmo suplicante; e este João de Agueda, o qual veio do Reino e consta que era Fidalgo Filhado em os Livros de Sua Majestade que Deus Guarde. Item 30 Se sabem que Ana Machado, mulher de Gaspar Nunes Pereira, segundos Avós do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Isidoro Gonçalves Machado, o qual era muito Nobre e Fidalgo e morador em a freguesia das Manadas. Item 31 Se sabem que o dito suplicante é legítimo parente de Francisco de Sousa Machado, Almoxarife que foi desta Ilha, e morador na Vila das Velas cujo parentesco liga por todas as partes em que se habilitou e tirou o seu Brazão, e dito Brazão e habilitação, além do que dizem as Testemunhas oferece uma certidão. Item 32 Se sabem que o dito suplicante é legítimo descendente de todos os sobreditos já nomeados, a cuja imitação sempre se tratou e trata muito à Lei da Nobreza, desde sua puerícia até ao tempo presente e abastado de bens temporais, e servindo-se com criados e cavalgaduras de sela, como os primeiros e mais abastados da Ilha, e como tal é morador na Jurisdição desta Vila da Calheta desta Ilha de S. Jorge. Item 33 Se sabem que actualmente as pessoas que em toda esta Ilha nas três Vilas que ela tem exercitam os Postos de Capitães-mores e os principais Cavalheiros de toda a Ilha são parentes dele suplicante, a maior parte deles em grau próximo e ligados em Direito. Item 34 Se sabem que o Capitão Manuel de Sousa Pereira que morador que foi das Manadas desta Ilha e sua Família, parentes dele suplicante, da mesma progenitura supradita, estão gozando o foro de Fidalgos por um Alvará de Sua Majestade que Deus Guarde, de que lhe fez mercê. Item 35 Se sabem que o suplicante por si e suas ascendências ser limpo e de limpo sangue e geração sem raça de mouro, mulato, Judeu, ou de alguma outra Nação infecta à nossa santa Fé Católica, ou se disso foram em alguma bastardia, outrossim se sabem ser ele dito suplicante Casado com mulher sua igual em qualidade e quantidade. Item 36 Se sabem que D. Maria Josefa da Silveira e Cunha é legítima mulher dele Suplicante, e é filha de legítimo matrimónio de Lázaro Teixeira dos Santos e de sua mulher Isabel Gregário, o qual Lázaro Teixeira é filho legítimo de legítimo matrimónio de António Teixeira dos Santos, primeiro Avô, e de sua mulher Maria Luís. Item 37 Se sabem que o dito António Teixeira dos Santos era filho de João dos Santos e de sua legítima mulher Bárbara Gonçalves, segundos Avós da supradita Dona Maria Josefa. Item 38 Se sabem que o dito João dos Santos era filho de Brás Álvares Teixeira e de sua legítima mulher Margarida Mendes, terceiros Avós da dita mulher do Suplicante; e este Brás Alvares veio do Topo para esta Vila conhecido por muito Nobre, e dele procedem parte das principais famílias desta Ilha. Item 39 Se sabem que a dita Maria Luís, primeira Avó pela parte Paterna, era filha de António da Cunha e de sua legítima mulher Agueda Jorge, segundos Avós da dita Dona Maria Joseja. Item 40 Se sabem que o dito António da Cunha era filho de legítimo matrimónio de Manuel Vieira Ferro e de sua mulher Vitória da Cunha, terceiros Avós da sobredita, o qual Manuel Vieira Ferro era filho de legítimo matrimónio de António Vieira Ferro e de sua mulher Bárbara Manuel, o qual veio de Lisboa para esta Vila, e foi dos primeiros povoadores dela, conhecido por muito Nobre e dele procedem famílias muito graves. Item 41 Se sabem que a dita Vitória da Cunha, terceira Avó da dita D. Maria, era filha de legítimo matrimónio de Belchior Gonçalves da Cunha e de sua mulher Juliana Pires, quartos Avós da supradita. Item 42 Se sabem que o dito Belchior Gonçalves da Cunha era filho de legítimo matrimónio de Baltasar da Cunha Teixeira, o qual era Fidalgo da Casa de Sua Majestade; ou por esta linha é descendente das Nobres famílias dos Cunhas e Teixeiras, e de sua legítima mulher Adriana de Souto-Mor, descendente das Nobres Famílias, também Fidalgos de geracão. Item 43 Se sabem que a dita Águeda Jorge, segunda Avó da supradita, era filha de legítimo matrimónio de António Luís e de sua mulher Helena Toste, terceiros Avós seus, o qual António Luís era filho de Nuno Jorge e de sua legítima mulher Margarida Toste, quartos Avós da dita Dona Maria Item 44 Se sabem que o dito Nuno Jorge era filho de leptimo matrimónio de Nuno Alvares e de sua mulher Catarina Fernandes, os quais foram dos primeiros povoadores desta Ilha; e vieram a descobrimento dela, tidos por Nobres e Fidalgos, e como tais foram tratados e deles procedem muito Nobres Famílias. Item 45 Se sabem que Isabel Gregório, mãe da dita Dona Maria, era filha de legítimo matrimónio de Al,eixos Dias da Cunha e de sua mulher Bárbara Ramalho, seus primeiros Avós, pela parte Materna, o qual Aleixos Dias era filho de legítimo matrimónio de João Dias Bica e de sua mulher Juliana Pires, segundos Avós da supradita. Item 46 Se sabem que o dito João Dias era filho de legítimo matrimónio de Aleixos Dias, o velho, o qual veio da Praia de Angra da Ilha Terceira e se apresentou nesta Vila da Calheta; conhecido por muito Nobre e como tal na dita foi tratado e estimado. Item 47 Se sabem que a dita Bárbara Ramalho, primeira Avó da sobredita Dona, era filha legítima de Francisco Lopes Teixeira e de sua mulher Isabel Gregório, seus segundos Avós, o qual Francisco Teixeira e,ra filho de legítimo matrimónio de Brás Alves Teixeira e de sua mulher Margarida Mendes, terceira Avó da mesma Dona Maria, assim pela parte materna como paterna, como dito é no item acima. Item 48 Se sabem que a dita Isabel Gregório, segunda Avó da dita Dona Maria, era filha de legítimo matrimónio Ue Tomé Gregário Teixeira, primeiro Capitão-mor que foi desta Vila, e um dos Capitães acima nomeados que se acharam em o conflito na guerra com os Ingleses, e de sua legítima mulher Bárbara Ramalho, terceiros Avós da mesma Dona Maria. Item 49 Se sabem que o dito Capitão-mor Tomé Gregório Teixeira era filho de legítimo matrimónio de Jorge Fernandes, o qual era legítimo Irmão de Pedro Afonso, nomeado em ascendência do suplicante Miguel António da Silveira. Item 50 Se sabem que a dita Juliana Pires, segunda Avó da dita Dona Maria, era filha de legítimo matrimónio de Manuel Vieira Ferro e de sua mulher Vitória da Cunha, os quais ficam nomeados com suas ascendências em os itens acima pela parte paterna da mesma Dona Maria, legítima mulher dele Suplicante. Item 51 Se sabem que o dito Capitão-mor da Vila Nova do Topo António Silveira e Ávila, Pai do Suplicante, serviu no dito posto mais de trinta anos com limpeza de mãos e sem interesse algum temporal, e com muito zelo do bem comum e do serviço de Sua Majestade, que Deus Guarde, sendo nestas matérias o mais diligente entre os Cabos de Milícia, que em seu tempo governaram nesta Ilha, provendo os seus postos de vigias, não só de noite, mas também de dia, em lugar que se descobriam as costas desta Ilha, assim da parte do Norte como do Sul e, havendo novas ruins, eram obrigadas as ditas guardas a darem senhas as embarcações que passavam de umas para outras Ilhas a que se recolhessem debaixo das armas do Porto do dito Capitão-mor, para que não fossem cativas dos inimigos, de cuja vigilância resultou o não serem cativas muitas embarcações, por ser o posto do dito Capitão-mor em a ponta de uma Ilha pela qual passam todas as embarcações que navegam nesta Ilha do Comércio de umas para outras. Item 52 Se sabem que o dito Capitão-mor, Pai dele Suplicante, era diligente e estudioso na segurança de seu Posto, gover-nando-o com faxinas e reforma de Fortalezas, as quais provia de Armas e petrechos para a defesa dos inimigos, convocando muitas vezes sua ordenança e gente dela para a factura das ditas faxinas, e delineando-as por si próprio, e assistindo pessoalmente as ditas obras, sendo nelas tão generoso que não se fiava de outro Cabo algum de sua Ordenança, como também afável, benigno e caritativo para seus oficiais e soldadesca sem faltar à justiça, premiando os bons e repreendendo os maus, quando assim era necessário. Item 53 Se sabem que o dito Capitão-mor era tão diligente no serviço de S. Majestade, que tendo notícia de algumas embarcações de inimigos logo despedia resolutamente correios daquele seu posto aos mais Cabos da Governança da Ilha avisando-os para que assim se guarnecessem com armas para a sua defesa, como também socorrendo-os com armas e soldados, sem que por essa causa deixasse desfortalecidos seus postos, e outrossim noticiava às mais Ilhas, mandando barcos de aviso a elias, como também dando sinais às mesmas Ilhas, mandando fazer fogo de noite com o farol quando o não podia fazer por outro meio a respeito da invasão do inimigo. Item 54 Se sabem que na pessoa dele suplicante, pelo modo e asseio com que se porta, mostra concorrerem as mesmas prendas do dito seu Pai e dos mais Capitães-mores seus ascendentes em que concorreram as mesmas generosidades e qualidades. Item 55 Se sabem que dos ditos Capitães mores seus ascendentes não houve até hoje herdeiro descendente que fosse premiado pelos tais serviços memorados. Item 56 Se sabem que a dita Dona Maria Josefa da Silveira e Cunha, per si e todos seus ascendentes é limpa e de limpo sangue, sem raça de Mouro, Mulato, Judeus, ou de outra alguma Nação infecta a nossa Santa Fé Católica, ou se na sua descendência houve alguma Bastardia.

Pede a Vossa Mercê, Senhor Juiz, seja servido mandar-lhe perguntar suas Testemunhas, e provado o que baste, mande ir os Autos a sua Conclusão para os sentencear como lhe parecer Justica, e para que seja jurídica sua habilitação lhe mande outrossim por seu despacho citar ao Procurador do Concelho para ver jurar testemunhas e alegar contra ele Suplicante o que for a bem da Justiça e Povo desta Jurisdição, e protesta ajuntar Papéis e anadir artigos, sendo-lhe necessários. E Receberá justiça e mercê. Despacho: Distribuída como pede; de Abril vinte e sete, de mil setecentos trinta e cinco. O Alferes Simão Pereira Brasil.

Sobre a matéria desta justificação depuseram quatro testemunhas, em 29 de Abril do dito ano de 1735 perante o juiz Inquiridor, o Ajudante Francisco Inácio c tabelião António Alvares Machado, os quais todos se reuniram para esse fim na freguesia de S. Tiago, nas casas de morada do cura daquela paróquia P.e Manuel Alvares Pereira a saber:
1.º o capitão João de Matos da Silveira, de setenta e seis anos de idade, morador das Manadas, e primo do suplicante em 3.º e 4.º graus de consagui-nidade. Confirmou os artigos, dando lugar apenas a um reparo, como adiante diremos.
2.º o capitão Manuel de Sousa de Oliveira, de setenta anos, morador na Ribeira Seca, o qual declarou ser parente do suplicante em 3.º e 4.º graus de afinidade. Conhecendo o fraco destes depoimentos, com relação aos mais antigos casais, confirmando os itens, depôs criteriosamente.
3.º o P.e António Silveira Machado, morador nesta vila da Calheta, de trinta e nove anos de idade, e parente do justificante em 3.º grau de consanguinidade. Confirmou quase todos os artigos, ampliando alguns.
4.º o ajudante Aleixo Correia Cabral, morador na Rua Nova desta freguesia de Santa Catarina, de setenta e quatro anos de idade. Confirmou quase todos os itens.

O cap. João de Matos da Silveira, depondo sobre o artigo ou item 45, equivocou-se, porquanto diz que Aleixos Dias da Cunha foi filho de Aleixos Dias, o velho, e este filho de João Dias Bica, que viera da Praia da Terceira. Contra esta afirmativa há o dito artigo da Petição, como também o depoimento do capitão Manuel de Sousa de Oliveira, natural e morador da Ribeira Seca, onde morou Aleixos Dias da Cunha, que o Oliveira conheceu, tendo como tabelião, visto documentos que se referiam àquela descendência. E sobretudo temos o tombo desta freguesia de Santa Catarina, organizado sob a fiscalização da Ouvidor e vigário próprio, que melhor que outrem devia conhecer seus fregueses Nesse Tombo vem uma referência para efeito de cumprimento do legado de Aleixo Dias, o velho, que transcrevemos:

Treslado de urra estritura de certos bens que obrigou João Diaz da Bica, e sua mulher Já.liana Pires para o perpetuo de seu Pay Aleixos Dias (...J E ora elle ditto João Dias, como testamenteiro do dito seu Pay está dando conta ante o Juiz dos Resíduos (...J apareceu com sua mulher, e por elles foi dito que por seu Pay e sogro Aleixos Dias (...J etc., no ano de 1621.
(Tombo de Santa Catarina, folhas 355).

No processo de prestação de contas ante o Provedor figura em primeiro lugar aquele João Dias Bica, e por falecimento deste, em 1642, sua viúva Juliana Pires; a seguir seu filho Manuel João da Bica; e por morte deste prestou contas seu irmão o dito Aleixo Dias da Cunha, que faleceu em S. Tiago a 4 de Dezembro de 1704, e foi casado com Bárbara Ramalho, seguindo-se Lázaro Teixeira dos Santos genro destes. E assim este Aleixo Dias da Cunha era filho de João Dias da Bica. Aleixos Dias da Bica, o velho, foi seu avô.

O cap. Manuel de Sousa de Oliveira referindo-se ao item 19, declarou que João Valido viera da Corte de Lisboa, conhecido por Nobre, e casara na Calheta com Inês Pires, filha de Pero Luís de Sousa, e se estabelecera ou aposentara «em o limite que se chama Fajã das Anvi-nhas». Nunca encontrámos tal denominação. Deve ser Fajã dos Azevinhos, que hoje é um trato de terreno compreendido entre a borda da rocha, e a estrada pública, na freguesia de S. Lázaro do Norte Pequeno, mas que outrora compreendia igualmente a Fajã do Mero. Na dita freguesia há a fonte de Feliciana Pires, e esta talvez descendente de João Valido, e de Inês Pires, sua mulher. A família Pedroso da Cunha é proprietária de algumas terras no dito lugar dos Azevinhos.

O dito Oliveira, confirmando a matéria da justificação, acrescenta:

«... que tudo o que tem declarado é somente por uma verdade notória, e moral; porque algumas pessoas da ascendência dos justificantes conversou e conheceu; porém outras muitas não alcançou o seu conhecimento, mais que por tradições de pessoas velhas e homens nobres do governo desta Vila, a quem o ouviu praticar em autos sérios nas ditas ascendências e outras; como também testemunhar em habilitações de outros parentes dos Justificantes sobre as mesmas ascendências e de algumas foi escrivão, por servir o tal ofício público mais de vinte anos, no Juízo secular da mesma Vila, onde hoje está existindo no Ofício de Escrivão do Eclesiástico onde se acham muitas Inquirições por dispensas de casarem pessoas das mesmas famílias, e a todos estes documentos se reporta em seu testemunho; e esta é a razão por que ele diz que não tem dúvida no conteúdo nos itens dos justificantes; e mais não disse».

P.e António Silveira Machado, depondo sobre o item 28, declara:

«que Manuel de Azevedo, 2.º cap. mor da Calheta, sendo capitão de uma companhia, juntamente com o capitão Tomé Gregório Teixeira, defenderam esta vila de uma invasão de sete navios e uma Burlota de fogo, e a livraram do tributo que anualmente pagavam aos ingleses, o que sabe por ser tradição certa e constar também dos livros de Registos da Câmara (perderam-se) desta vila, em que ele testemunha leu algumas notícias do dito caso».

Acerca desta invasão, depôs da seguinte forma a 2.a testemunha cap. Manuel de Sousa de Oliveira:

«o qual Manuel de Azevedo, sendo capitão em a mesma vila, tendo por companheiro outro capitão por nome Tomé Gre-gório Teixeira, estes com suas companhias, libertaram a jurisdição desta vila do tributo que pagavam aos ingleses, defendendo uma armada de sete naus de guerra, que invadiram a costa da mesma vila com armas e artilharia, e os ditos capitães com seu ardil e valor, animando os soldados, sem terem muralhas mais que um pau-pique, a perigo de suas vidas, por serviço de Sua Majestade que Deus Guarde, a defenderam, e tendo disto notícia um corregedor e governador das armas de Angra, os fizeram e elegeram, capitães-mores, e o dito progenitor do suplicante o foi sucessivamente ao dito Tomé Gregório, e sempre ele testemunha ouviu praticar estes feitos dignos de memória ...»

O capitão João de Matos da Silveira, confirmando o Item 42, diz:

«Belchior Gonçalves da Cunha era filho de Baltasar da Cunha Teixeira [que já era falecido em 1588] Fidalgo da Casa de Sua Majestade, e por tal se intitulava, como constava da fundação que fez em a ermida do sr. São João, e par esta linha descendente das nobres famílias e Teixeiras, (sic) e de sua legítima mulher Adriana de Souto-Maior ...»

Ora, diz-se que tal fundação é do ano de 1550. Ignoramos a fonte desta afirmativa; e pelas razões que vamos expor afigura-se-nos errada aquela data.

Naquela época era o povo nimiamente religioso. Resolveram em sessão da Câmara no ano de 1560 fazer uma festa à Senhora do Rosário, a 25 de Março, para que «o Sr. Deus os livrasse da praga dos tentilhões que lhes comiam as searas». Eram apenas 64 os fogos da jurisdição naquele tempo. Em S. Tomé não havia ainda um único morador, nem na Fajã de S. João; e todavia já as respectivas ribeiras tinham o nome de Ribeira de S. Tomé e Ribeira de S. João. A falta de circunstâncias topográficas ou de qualquer acidente pessoal, deram-lhes o nome de Santos. Cremos, pois, que em S. Tomé nunca houve capela alguma nem a de S. João estava ainda edificada nesta época. Se há em S. Tomé o chamado cerrado da igreja, pertencia ele à matriz e não à pretendida ermida daquele interessante lugar, hoje compreendido na freguesia de Santo Antão Porquanto, o P.e Diogo de Matos da Silveira, fundador do Convento de S. Diogo da vila do Topo, testando em 26 de Setembro de 1664, diz: «A confraria do Senhor deixo mil reis; e quinhentos reis à confraria da Senhora. Deixo mil reis à dos Fiéis de Deus. Deixo mil reis a S. Pedro; cinco tostões à ermida de Nossa Senhora da Ajuda, mil e quinhentos reis à ermida de S. João, que meu pai e mãe deixaram que se fizesse». Logo a fundação ou edificacão da ermida de S. João, foi legada em testamento pelos pais do P.' Diogo. E falecendo este em 6 de Janeiro de 1667 se a capela estivesse erecta desde 1550, aquele sacerdote já seria nado nesse ano e faleceria na idade de 117 anos ou mais, o que se não é absolutamente impossível, é tão descomunal que havia de constar da tradição. E não consta. Além disso aquele padre repugnou os apelidos da família Cunha e Souto Maior, para tomar os de Matos da Silveira. Seria ele neto e não filho, de Baltasar da Cunha? Ou teria este casado em segundas núpcias com alguma filha ou neta de Diogo de Matos, de Jordão de Matos, Druciana de Matas, ou de Maria de Matos, filhos estes de João Pires de Matos e de Maria Silveira, filha do Vandaraga? Falecem-nos elementos para decidir este ponto. O P.' Diogo tinha neste tempo uma irmã Vitória da Cruz, freira pro-fessa no Convento de S. Gonçalo de Angra, à qual deixou o usufruto de certos foros da Fajã de S. João; bem como uma outra irmã Maria da Cunha, casada com João Dias de Águeda, e estes estabeleceram o vínculo da Fajã do Cubas; um sobrinho, Mateus Silveira, ao qual nomeou padroeiro do Convento de S. Diogo; e outra sobrinha Maria do Rosário, freira em S. Gonçalo na Terceira. No arquivo municipal do Topo aparece-nos um Baltasar da Cunha até ao ano de 1618; e naquela data outro Baltasar da Cunha, mas da Silveira que, como se vê do texto, não é o pai do P.' Diogo de Matos. E a primeira referência à ermida é do ano de 1623, como se vê do seguinte texto: «Em Dezembro de 1623, apresentou em Câmara seu título de nomeação de mamposteiro da SS. ' Trindade Diogo Vaz Salgado. Foi registada no competente livro a provisão do dito Vaz Salgado para servir na igreja da vila e ermida de S. João, o escrivão Manuel de Matos da Silveira.»

Julgamos, pois, a erecção da ermida de S. João pouco anterior ao ano de 1618.
Os pais do P.e Diogo de Matos seriam João de Matos da Silveira e Luzia Dias, como, segundo consta, dizia o Dr. João Teixeira Soares de Sousa? Parece mais provável.

Antes de concluir este capítulo sobre a justificação de nobreza de Miguel António da Silveira, devemos notar a confusão que, segundo nos parece, se estabeleceu a respeito de dois casais do século XVI e princípios do século XVII, confusão proveniente de hormónimos, a saber: Gaspar Nunes Pereira, casado com Maria Luís de Sousa e moradores no Norte Pequeno; e Gaspar Nunes Pereira Neto, casado com Bárbara de Valença, moradores de S. Tiago da Ribeira Seca, e são avô e neto. Tem-se dado a este duas mulheres sendo uma delas Maria Luísa de Sousa, própria avó, e vice-versa, tem-se indicado como segunda mulher do avô a Bárbara de Valença, única mulher de seu neto Gaspar Nunes Neto.

Também os filhos de um e de outro andam confundidos; porquanto o cap. mor Gaspar Nunes Neto e o cap. Pero Luís Pereira, eram, assim como Isabel Nunes, casada com o cap Miguel Afonso de Valença, irmãos, como filhos de Goncalo Nunes, casado com Maria Luís Pereira, filha do dito Gaspar Nunes Pereira e de sua mulher Ma."ia Luís de Sousa. Belchior Nunes Pereira, 2.º sarg. mor, casado com Bárbara Jorge de Borba, foi filho de Gaspar Nunes Pereira e de Maria Luís de Sousa que tiveram ainda outros filhos.

Mais diremos que Baltasar da Cunha, casado com Adriana do Souto Maior, não tinha o apelido Teixeira, mas sim sua mulher, a dita Adriana, como filha de Jerónimo Gonçalves Teixeira e de Luzia Dias.

Também Tomé Gregório, 1.º carp. mor da Calheta, não usava o dito apelido, por lhe não pertencer, mas sim seus netos filhos de Francisco Lopes Teixeira, e daí talvez a confusão.
Fontes:
PADRE MANUEL DE AZEVEDO DA CUNHANOTAS HISTÓRICASESTUDOS SOBRE O CONCELHO DA CALHETA (S. JORGE)

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