sábado, 14 de fevereiro de 2009

A propriedade pertenceu a um arcediago da cúria do Bispado da Diocese Angra do Heroísmo. Nela destaca-se o solar, que possui cinco séculos de história em sua parte mais antiga.

São testemunhos deste período não apenas uma antiga iconografia onde se encontram figuradas a propriedade e a casa originais, mas também uma antiga epigrafia com a data de 1502, recuperada durante recentes trabalhos de manutenção sobre a porta da atual adega que, à época, poderia ter assinalado a entrada principal.
O solar foi ampliado por volta de 1700, após a propriedade ter sido adquirida aos seus antigos proprietários por membros da família Noronha, que terá chegado aos Açores na pessoa de D. Luísa de Noronha, filha de Pedro Ponce de Leão e de D. Helena de Noronha, ainda no século XVI.

Esta primeira construção de 2 pisos, é bastante simples na sua concepção básica é actualmente uma grande sala de jantar com mais de 12 metros de comprimento em que a luz entra a jorros por 4 grandes e altas janelas voltadas ao Sul e ao mar; na parte traseira da sala 2 janelas iguais as outras 4 abrem-se para a quinta por onde entra o cheiro sempre agradável das flores das laranjeiras e das ervas verdes.

Desta sala é permitido sair-se para a rua por uma porta envidraçada que dá para um terraço com varanda onde é aproveitado o eirado de uma cisterna cuja construção data também de 1501 e onde ainda hoje é aprovisionada água para os dias mais secos do Verão.
Esta sala ocupa todo o espaço que antigamente era dividido em quartos e era a moradia do seu proprietário.

Ainda hoje o sobrado, antigo, magnífico em velhíssima madeira de cedro é sustentado por grossas traves e barrotes de maciços cedros dos mato que descansam sobre as cantarias das paredes laterais e numa belíssima e pura arcada de estilo Romano, que magnífica repousa nos séculos da sua existência dividindo este andar de baixo, uma adega em duas partes.

Esta “nova” parte da casa foi construída, como já se disse por volta do século XVII após ter sido adquirida toda a quinta e a casa de 500 ao antigo proprietários por membros da família Noronha, que terá chegado aos Açores na pessoa de D. Luíza de Noronha, filha de Pedro Ponce de Leão e de D. Helena de Noronha, no Século XVI.

A Villa Maria é assim uma casa que os 500 anos da primeira construção unem numa só, onde o encanto do passado se faz sentir em cada quarto, em cada canto.

Na totalidade, contando todas as divisões, tem 44 quartos, tendo cada um o seu mistério, e sótão que abrange toda a dimensão da casa, que se necessário pode ser transformado em área habitável

Chega-se a esta casa por uma imponente entrada onde um portão de ferro faz a divisória entre a fronteira do domínio público e do domínio privado.
Depois de percorrer um caminho de acesso com cerca de 81 metros, chega-se à frente da casa, onde a imponência da fachada voltada ao sul e ao mar, composta por uma porta central e 14 janelas todo trabalhado em magníficas cantarias, que se dividem por dois andares.

A porta central convida-nos a entrar num amplo saguão que se abre para os dois lados do andar de baixo por 4 portas de escuro pinho resinoso. Ao centro deste saguão a imponente escadaria que dá acesso ao andar nobre é ladeada por 4 colunas de pedra trabalhada onde se mistura a pureza do estilo Românico e algo de recocó na parte superior de cada uma das colunas.
Os azulejos do chão deste saguão, tão antigos como a casa são uma excelente mostra da antiga azulejaria portuguesa.


As duas primeiras portas laterais com as suas cantarias trabalhadas num leve arco são rematadas numa ogiva que o estilo faz lembrar o árabe.
As duas restantes de cantaria simples dão acesso às laterais da casa, antigas areias de serviço e a uma dispensa arrecadação onde se guardam os produtos agrícolas da quinta.
Ao subimos a escadaria deparamo-nos com a sua abertura superior em circulo onde se abrem 3 portas. A central, em vidro engastado em pinho resinoso dá-nos acesso ao corredor central de onde pudemos partir à descoberta da casa.
Pudemos faze-lo por vários lados, mas por uma questão de ordem prefiro começar pelo lado nascente.

Começamos assim pela adega.
Esta adega que ocupa todo a rés-do-chão da casa de 500 é divida em duas grandes salas: A primeira, onde existiam os lagares e onde eram esmagadas as uvas para se fazerem os vinhos que foi afamado. É detentora de 2 profundos lagares onde as uvas esmagadas eram deixadas a adquirir cor e a fermentar.
Nas paredes existem ainda os espaços e os mecanismos de prensa das uvas.

Desta primeira sala e passando por uma porta de maciça madeira escura rodeada de pesadas cantarias, passa-se, subindo algumas escadas para uma outra grande sala onde o vinho era guardado em enormes tonéis alguns com mais de 960 litros de capacidade e de que ainda existem alguns exemplares.
Este vinho era guardado em câmara escura e a uma temperatura sempre constante envelhecia até adquirir a idade e o corpo necessário para ser engarrafado e de novo guardado em garrafeiras até que finalmente chegasse a altura de ser comercializado.
Esta parte da adega é profundamente encastrada na casa ficando por debaixo dela e lateral à segunda parte da casa construída por volta de 1700, sendo assim uma autentica e excelente cave ideal para os vinhos.
Voltando à sala de jantar em que foi transformado o andar superior da casa de 500, pudemos admirar a sua bela mobília composta por vários estilos que no entanto formam um conjunto harmonioso e onde se destacam os antiquíssimos armários de exóticas madeiras trabalhadas, onde se guardam os serviços de jantar.

Desta sala passamos para o corredor central onde as portas se abrem para nos dar acesso às encantadoras salas onde o passado está sempre presente.
A cozinha... linda divisão com saída para a rua e para a quinta é dotada de um grande forno onde nos velhos tempos se cozinhava o pão que aqui se comia.
Os armários embutidos na parede, que se elevam quase a três metros de altura, guardam os utensílios que neste divisão se usam.
A linda chaminé de mãos postas dá liberdade aos fumos.
À dispensa de pedra que fornece esta cozinha tem-se acesso por uma porta em arco.

De quarto em quarto chega-se finalmente à capela que pelas suas características não se pode deixar de falar:
Tem-se acesso a esta capela por duas portas em ogiva a partir do corredor central. Está dedicada a Nossa Senhora das Vitórias, e devidamente registada e autorizada pela diocese desde os tempo mais antigos. Aqui já se rezaram missas e se fez casamentos; e apesar de à cerca de meio século só ser utilizada pelos proprietários da casa, ainda guarda todos os paramentos necessários à sua actividade.
É aqui de destacar a bela imagem de Nossa Senhora das Vitórias esculpida em madeira, e o antigo livro de missa ainda escrito em Latim entre muitos outros elementos únicos.

O salão nobre, a maior sala de toda a casa é iluminado por 5 janelas que se abrem a sul, ao mar e a ponte, às terras de cultivo.

Neste grande salão é de destacar a sua linda mobília de vários estilos e o seu lustre onde a arte foi usada com empenho.
Quando se entra neste salão vêem-nos à memória as festas de antigamente onde ao som do piano que aqui se encontra se dançava ou descontraidamente se passava o serão ao calor de uma salamandra.

Por toda a casa, a madeira é uma constante, trabalhada com arte em floreados estão por toda a parte. No entanto os enormes florões centrais dão um ar de nobreza aos sistemas de iluminação que deles se desprendem.
Todas as janelas estão rodeadas por belas cantarias onde a pedra foi trabalhada com esmero.

A cantaria, aliás, é algo que surge por toda a casa, o que até é normal tendo em atenção a data de construção e os materiais que então se utilizavam.

Por cima da porta da entrada é de destacar o lindo florão de pedra que dá à entrada uma ideia daquilo que nos pode esperar. A janela da capela, por cima da porta de entrada, toda em pedra trabalhada é exemplo da pedra feita arte.

A Villa Maria e toda a família que nela habita está profundamente ligada à Ilha de São Jorge, pois apesar de ter sido construída pelos Noronhas da Terceira, estes eram grandes proprietários de terras em São Jorge onde no Século XVIII e provenientes da Terceira, chegaram, na pessoa de Pedro Homem Pimentel de Noronha, de quem são descendentes directos em 6ª geração os actuais e habitantes da casa.

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